A grande farra da leitura

Blog que trata dos livros, da leitura, da música e da reflexão política e social.

segunda-feira, outubro 04, 2010

Sócrates - O Antes e o Depois

Palavras para quê ? É um artista português...

domingo, outubro 03, 2010

Estado deixa de comprar carros

O Estado e as empresas públicas deixaram de comprar carros em virtude das novas regras de contenção orçamental.

Coitados ! Pobre gente ! Vão ter que se governar coms os BMWs e os Mercedes topo da gama comprados há mais de 6 meses !
Realmente, custa muito ser patriota.

Lema do "Estado Social"

Estado Social é a variante portuguesa do forrobódó socialista e o seu lema é:

Para os amigos tudo, para os inimigos nada, quanto aos restantes, cumpra-se a lei !

Renúncia


Eu renuncio!

Neste momento de aflição em que todos temos de dar as mãos e deixar de olhar só para o nosso umbigo, correspondo ao apelo de quem nos governa e de quem apoia quem nos governa, faço pública parte da lista do que o Estado criou e mantém para minha felicidade, e de que de estou disposto a patrioticamente prescindir.
Assim:
Renuncio a boa parte dos institutos públicos criados com o propósito de me servir;
Renuncio à maior parte das fundações públicas, privadas e áquelas que não se sabe se são públicas se privadas, mas generosamente alimentadas para meu proveito, com dinheiros públicos;
Renuncio a ter um sector empresarial público com a dimensão própria de uma grande potência, dispensando-me dos benefícios sociais e económicos correspondentes;
Renuncio ao bem que me faz ver o meu semelhante deslocar-se no máximo conforto de um automóvel de topo de gama pago com as minhas contribuições para o Orçamento do Estado, e nessa medida estou disposto a que se decrete que administradores das empresas públicas, directores e dirigentes dos mais variados níveis de administração, passem a utilizar os meios de transporte que o seu vencimento lhes permite adquirir;
Renuncio à defesa dos direitos adquiridos e à satisfação que me dá constatar a felicidade daqueles que, trabalhando metade do tempo que eu trabalhei, garantiram há anos uma pensão correspondente a 5 vezes mais do que aquela que eu auferirei quando estiver a cair da tripeça;
Renuncio ao PRACE e contento-me com uma Administração mais singela, compacta e por isso mais económica, começando por me resignar a que o governo seja composto por metade dos ministros e secretários de estado;
Renuncio ao direito de saber o que propõem os partidos políticos nas campanhas pagas com milhões e milhões de euros que o Estado para eles transfere, conformando-me com a falta de propaganda e satisfazendo-me com a frugalidade da mensagem política honesta, clara e simples;
Renuncio ao financiamento público dos partidos políticos nos actuais níveis, ainda que isso tenha o custo do empobrecimento desta democracia, na mesma mesmíssima medida do corte nas transferências;
Renuncio ao serviço público de televisão e aceito, contrariado, assistir às mesmas sessões de publicidade na RTP, agora nas mãos de um qualquer grupo privado;
Renuncio a mais submarinos, a mais carros blindados, a mais missões no estrangeiro dos nossos militares, bem sabendo que assim se põe em perigo a solidez granítica da nossa independência nacional e o prestígio de Portugal no mundo;
Renuncio ao sossego que me inspira a produtividade assegurada por 230 deputados na Assembleia da República, estando disposto a sacrificar-me apoiando - com tristeza - a redução para metade dos nossos representantes.
Renuncio, com enorme relutância, a fazer o percurso Lisboa-Madrid em 3h e 30m, dispondo-me - mesmo que contrariado mas ciente do que sacrificio que faço pela Pátria - a fazer pelo ar por metade do custo o mesmo percurso em 1 h e picos, ainda que não em Alta Velocidade.
Renuncio ao conforto de uma deslocação de 50 km desde minha casa até ao futuro aeroporto de Lisboa para apanhar o avião para Madrid em vez do TGV, apesar da contrariedade que significa ter de levantar voo e aterrar pertinho da minha casa.
Renuncio a mais auto-estradas, conformando-me, com muito pena, com a reabilitação da rede nacional de estradas ao abandono e lastimando perder a hipótese de mudar de paisagem escolhendo ir para o mesmo destino entre três vias rápidas todas pagas com o meu dinheiro, para além de correr o triste risco de assistir à liquidação da empresa Estradas de Portugal.
Seria fastidioso alongar-me nas coisas que o Estado criou para o meu bem estar e que me disponho a não mais poder contar. E lanço um desafio aos leitores do 4R : renunciem também! Apoiemos todos, patrioticamente, o governo a ajudar o País nesta hora de aflição. Portugal merece.

Comentário: estou de corpo e alma com este patriótico esforço; renuncio igualmente a todas as mordomias de que fala o excelente post do 4ª República; direi mesmo que faço questão de renunciar.

quinta-feira, setembro 30, 2010

Impostos, salários et alia

Para quem ganha 3000 ou 4000 euros, um corte de 10% representa uma diminuição de 300 ou 400 euros de rendimento; é uma contrariedade, deixa de se poder comprar algumas coisas que estavam programadas, dizem-se uns impropérios e a coisa fica por aí.

Para quem ganha 1000 ou 1500 euros, um corte de 5% representa uma “talhada” de 50 a 75 euros por mês, que pode ser dramática, pois 1000 ou 15000 euros de rendimento mensal já está no limite do suportável.

Para quem ganha 15000, 20000 e 30000 euros, como grande parte da classe política, dos gestores e dos “jornalistas” chefes de redacção de jornais, rádios e TVs, um corte de 10% nem se sente, não chega a ser uma contrariedade, é um detalhe.

É bom que se compreenda isto, quando os vemos com ar compungido a defender o aumento de impostos e o corte de salários.

quarta-feira, setembro 08, 2010

Jornalismo de "serviço"






Manuel António Pina continua a ser um caso de lucidez recorrente no panorama jornalístico.
Eis a sua crónica mais recente no Jornal de Notícias, que se cita com vénia:

Jornalismo de "serviço"

A entrevista "non stop" que, desde que foi condenado, Sua Inocência tem estado ininterruptamente a dar às TVs teve o mais respeitoso e obrigado dos episódios na RTP1, canal que é suposto fazer "serviço público".
Desta vez, o "serviço" foi feito a um antigo colega, facultando-lhe a exposição sem contraditório das partes que lhe convêm (acha ele) do processo Casa Pia e promovendo o grotesco julgamento na praça pública dos juízes que, após 461 sessões, a audição de 920 testemunhas e 32 vítimas e a análise de milhares de documentos e perícias, consideraram provado que ele praticou crimes abjectos, condenando-o à cadeia sem se impressionarem com a gritaria mediática de Suas Barulhências os seus advogados, o constituído e o bastonário.
Tudo embrulhado no jornalismo de regime, inculto e superficial, de Fátima C. Ferreira, agora em versão tu-cá-tu-lá ("Queres fazer-lhe [a uma das vítimas] alguma pergunta, Carlos?"). O "Prós & Contras" só não ficará na História Universal da Infâmia do jornalismo português porque é improvável que alguém, a não ser os responsáveis da RTP, possa chamar jornalismo àquilo.

terça-feira, setembro 07, 2010

Prós e Contras - 6/Set/2010

Estava a ver o programa "Prós e Contras" na TV, que neste momento ainda está no ar.
Confesso que depois do intervalo deixei de o ver.
É de vómito.
Marinho Pinto fala do processo Casa Pia com um grande à vontade... para logo a seguir reconhecer que nem o conhece - lindo, um advogado tecer considerações concretas sobre um caso concreto e uma condenação em concreto que nem conhece; espectacular.
O tempo de antena atribuído a um dos arguidos é incrível.
Estou convencido que a maior parte das estações de TV e de comentadores que têm dado todo esse tempo de antena a Carlos Cruz se estão nas tintas para o facto de ele ser culpado ou inocente dos crimes por que foi condenado - estão, sim, e sem dúvida, empenhados seriamente em descredibilizar a justiça.
Este "Prós e Contras" representa a justiça transformada num fait divers ao alcance da coitada da FCFerreira, que além de pouco brilhante (para dizer o mínimo) é de um atrevimento fora de série - costuma dizer-se, não sem razão, que a ignorância é muito atrevida.
Fiz mal em ver esse nojo de programa - vou sentir náuseas durante um tempo indeterminado e nem os sais de frutos me valem.

sábado, agosto 28, 2010

Raposo, mas pouco - é mas é Burro

Nem de propósito.

Tinha acabado de comprar o Expresso quando deparei com este post do José da Porta da Loja e fui ler a crónica do tal Raposo.

É difícil juntar um tal chorrilho de lugares comuns ao nível do mais popularucho – o sr. Raposo conseguiu demonstrar que além de não perceber realmente nada do assunto (no que aliás está bem acompanhado – vide crónica de Sarsfield Cabral que ultimamente comentámos), está repleto de certezas cuja existência radica directa e imediatamente na sua profunda ignorância mesclada com uma já normal antipatia pelas magistraturas.

Além de misturar magistratura judicial com magistratura do Mº Pº, metendo-as alegremente no mesmo pacote e ultrapassando à vol d'oiseau os detalhes que para ele serão pequenos (como o “pequeno” detalhe de os juízes serem titulares de um órgão de soberania e de os Procuradores o não serem), o indivíduo fala de sindicalismo judiciário como se ele equivalesse a greves de magistrados a torto e a direito, o que nunca aconteceu.

Esquece outro detalhe: se, por alguma hecatombe constitucional, os juízes fossem expressamente proibidos de constituírem sindicatos, rapidamente essa proibição seria contornada com a criação de uma ou mais “associações de juízes” com conteúdos insindicáveis pelo poder político; era o que se fazia antes do 25 de Abril de 1974, em que as mais diversas proibições eram contornadas com a criação de agremiações mais ou menos conhecidas que acabavam sempre por fazer aquilo que entendiam até ao dia em que fossem encerradas – para abrirem portas logo a seguir com outro nome, retomando o ciclo.

Qualquer papalvo conhecedor do Portugal pré-democrático sabe isto, que o sr. Raposo não parece saber.

Outra confusão do cavalheiro: como é possível os tribunais andarem tão malzinho, se os juízes são na sua esmagadora maioria bem classificados ?

Mas então o sr. Raposo pensa que os juízes esgotam o conjunto de poderes que se manifestam nos tribunais ?

O sr. Raposo não sabe que há leis excessivas e frequentemente contraditórias, que há advogados, que há todo um corpo de funcionários judiciais que nem sequer estão sujeitos ao poder hierárquico dos juízes, que há milhares de processos executivos que não andam nem andarão devido aos sucessivos e enormes erros legislativos cometidos pelos seus tão louvados políticos democraticamente eleitos ?

Não sabe: ele só sabe é que os juízes são razoavelmente bem classificados e os tribunais não funcionam bem, logo haverá aqui uma contradição insanável só explicável pelo inefável corporativismo da classe que ele, qual Catão justiceiro, submete ao látego da sua crítica rigorosa...

Este Raposo parece uma personagem de Eça de Queirós, um Dâmasozinho Salcede atento, venerador, obrigado e... burro que nem uma porta ondulada, mesclando a sua burrice com a ignorância, que anda normalmente de mãos dadas com a incompetência.

Não vou perder mais tempo com o Raposo.

José, tem toda a razão – a crónica deste cavalheiro é um atentado à inteligência e à cultura judiciária, cuja existência aliás, ele nem sequer pressente.

É um burro a dizer burrices que outros burros pensaram antes dele e nas quais só os burros acreditam.

terça-feira, agosto 24, 2010

PGR investiga atrasos no Freeport

Como sempre, a actuar em função dos jornais e das TVs.
Há-de chegar longe, apesar da "boa imprensa".
Pinto Monteiro está farto de saber as causas dos atrasos e todas as contingências que rodearam a investigação do caso Freeport.
O inquérito ao inquérito que ordenou - uma investigação da investigação... - visa exclusivamente efeitos mediáticos e tal intenção não é sequer disfarçada.
É desagradável ver um juiz conselheiro a fazer estas figuras.
Mas claro, ele é que sabe as linhas com que se cose... se a dada altura já ninguém o respeitar ele decerto compreenderá porquê.

domingo, agosto 22, 2010

Fugir


Nos anos 50-60-70 do século passado as pessoas emigravam para o estrangeiro por diversas razões: para fugirem à miséria, para arranjar trabalho condigno, para não irem para a guerra.
Hoje há muitos portugueses, especialmente jovens qualificados, que se vão embora para se livrarem... do País.
Vão procurar lá fora as condições de vida socio-profissional que Portugal não lhes pode oferecer, pois o dinheiro esgota-se nos bolsos da classe política e respectivos amigos e pouco sobra para quem trabalha e investiga.
Têm razão: este sítio mal frequentado está cada vez mais irrespirável.

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