Blog que trata dos livros, da leitura, da música e da reflexão política e social.

sábado, abril 28, 2007

The Sage (Modest Mussorgsky/Greg Lake)

Este cidadão cujo nome não descobri (usa o pseudónimo Troubleclef e é músico profissional), toca o The Sage versão EL&P (Pictures at an exhibition, dos Emerson, Lake & Palmer, remember ?) como um verdadeiro... Sábio.

(Se quiser ouvir o álbum inteiro tocado ao vivo - quase 42 minutos de duração - onde a versão dos EL&P do The Sage é tocada pelo próprio Greg Lake, pode clicar aqui).

sexta-feira, abril 27, 2007

Eleições em França

Porque penso que vai ganhar a direita nas presidenciais francesas ?
Porque hoje em dia as políticas nacionais nos países europeus dependem muito da União Europeia e esta tem um pendor claramente de direita.
Porque os candidatos por essa Europa fora se parecem cada vez mais uns com os outros – são todos partidários de políticas abertamente de direita, embora alguns (os PSs, entre os quais o português e o francês) se gabem de ser de esquerda.
Porque se é inevitável que se caia na política de direita, então o mais lógico é que seja gente de direita a protagonizá-la.
Andava preocupado comigo mesmo: sempre fui um tipo com ideias de esquerda, ou para lá tendendo; nunca na minha vida votei num partido de direita ou num candidato presidencial ou autárquico de direita; e apesar disso frequentemente dou comigo a pensar que para fazer esta política que se faz actualmente, a direita é mais competente.
Acabo de ler numa revista que há uma série de intelectuais franceses da esquerda que apoiam Sarkozy em detrimento de Segolène.
Não vou tão longe: espero em Deus nunca vir a apoiar a direita com o meu voto (votar à direita para mim é como perder a virgindade com uma/um desconhecida/o por causa de uma noite de copos, com whisky “marado”...).
Mas não ficarei escandalizado se a direita começar a ganhar eleições – tudo é preferível à demagogia socialista cada vez mais esquizofrénica, que só sabe mandar “bocarras” de esquerda e fazer políticas de direita pura e dura, deixando o País de pantanas.
Direita por direita, prefiro a direita séria e responsável, que sabe tomar medidas graduais e sabe evitar as constantes bombas atómicas a que o PS nos habituou.
Creio que os intelectuais franceses de esquerda que apoiam Sarko terão uma linha de pensamento semelhante.

segunda-feira, abril 23, 2007

Livros, livros, livros



Dia Mundial do Livro

Não simpatizo com Dias Mundiais disto e daquilo, mas abro uma excepção para o Dia Mundial do Livro, que parece que é hoje.
A Feira do Livro de Lisboa está quase a começar !
Fasten your seat belts, please - este ano quero passear-me longamente pela feira, onde espero vir a ter, como sempre, encontros imediatos do 3º grau, com pessoas sem dúvida, mas muito especialmente com os livros.

Guitarra, evolução, obsessão e convalescença



Quando se diz que para tocar viola razoavelmente é preciso muito trabalho – mas muito trabalho mesmo ! – não se está a cometer uma ponta de exagero.
São horas e horas e horas a dedilhar, horas e horas e horas de alguma prática que tenha a ver com teoria musical, horas e horas e horas de estudo de cada peça musical.

Nunca estudei organizadamente nada de viola, de guitarra ou de música em geral, de onde resulta que a carga de conhecimentos que adquiri é toda empírica.

Quando o meu sobrinho, jovem que estuda guitarra e música a sério, me fala da “terceira dominante”, maior ou menor, fico a olhar para ele que nem boi para palácio.

Entretanto, volta e meia fico maravilhado quando descubro o que é um Dó de 6ª e descubro que já utilizo o dito Dó de 6ª há vinte anos sem sequer saber que aquilo era um Dó, quanto mais de 6ª !
Bom, mas o tema do post não é bem sobre isto.

É sobre a obsessão.

Volta e meia, nas minhas deambulações musicais, dou com uma melodia que me encanta especialmente e começo a estudá-la intensivamente; isso implica tocá-la de frente para trás e de trás para frente umas 500 mil vezes, com as mais desvairadas e loucas variantes, algumas das quais passam a fazer parte da música, quando me agradam especialmente.

De onde resulta que a família e os amigos é que pagam, coitados, antes de eu tocar a melodia do princípio ao fim já eles a ouviram uns bons milhares de vezes.
Há uns anos largos a banda The Who saiu-se com aquele monumento musical que foi a ópera-rock Tommy.

Adorei o Tommy e meti na cabeça que o havia de tocar – bom, o resultado foi tal que ainda hoje o meu irmão mais novo empalidece quando eu toco os primeiros acordes do dito...

Toquei, retoquei, tritoquei, tetratoquei dezenas de vezes as principais canções do Tommy, horas e horas seguidas, de tal maneira que os meus pais, os meus irmãos, os meus amigos e até a minha namorada de então passaram a odiar visceralmente o disco, tal foi a “overdose” !

Algo de semelhante se anda agora a passar, mas a “dose” é substancialmente diferente, pois actualmente a vítima das minhas atenções é o Prelúdio em Lá menor, do Badenpowell, que é uma peça musical que tem uns 10 minutos de duração.

Hoje, porém, peguei na viola, estive a tocar um bocado e depois parei, com a sensação de que algo de estranho se estava a passar.
E estava !

Estive uma meia hora a tocar viola e não toquei nenhuma parte do Prelúdio, o que significa que abrandou a obsessão – estou em convalescença, portanto...

segunda-feira, abril 16, 2007

Contos Estelares – XVIII

Seldom e Terminus - Fundação


“Quem diabo é Hari Seldom ?”, indagou Neves.

Funes encarregou-se de explicar tudo.
Corria uma história publicada por Isaac Asimov que começa por descrever um planeta gigantesco mas com uma força da gravidade igual à da Terra; nesse planeta e planetas próximos a humanidade medrou extraordinariamente.
O planeta chamava-se Trantor.

O livro chamar-se-ia Fundação.
Em data indeterminada Trantor deixou de ter terra livre, estava literalmente todo ocupado na sua superfície, por isso os seus dirigentes enveredaram por culturas hidropónicas e pelo desenvolvimento do sub-solo.

O planeta estava a regurgitar de gente e era governado com pulso de ferro por um regime autoritário.
Hari Seldom era um dos seus mais conhecidos e respeitados cientistas e tinha desenvolvido uma nova ciência, a psico-história, que através de cálculos matemáticos e da teoria das probabilidades conseguia descobrir as tendências da evolução das sociedades com um impressionante grau de precisão.
Até aí, no problem.

O problema era que Hari Seldom tinha previsto uma época de depressão e desgoverno de Trantor que se aproximava rapidamente.
Segundo os seus cálculos Trantor ia cair na anarquia dentro do curtíssimo período de 10 anos.
Foi o escândalo: Seldom e o seu grupo de seguidores na universidade foram não só expulsos da universidade como do próprio planeta.
Foram degredados para o espaço exterior, para um planeta pequeno e escuro,a que chamaram Terminus.
A Fundação era o destino e o objectivo de todos que trabalhavam no planeta.
Seldom acreditava que se iriam seguir tempos de barbárie, mas se conseguisse fazer um apanhado geral de todo o conhecimento científico humano seria possível reduzir essa barbárie a pouco tempo.
Com base numa das suas teorias – a teoria de que a civilização tinha horror ao vazio – vaticinava que num mundo de barbárie quem estivesse equipado com fortes valores civilizacionais muito rapidamente ocuparia todo o espaço disponível.

A civilização e a cultura só param quando encontram outras civilizações ou culturas; enquanto não as encontrarem irão ocupar todo o espaço deixado pela barbárie.
Os nossos amigos astronautas tinham “tropeçado” na comunidade cientifica/culturalmente mais evoluída de toda a galáxia.
(continua)

Contos Estelares - XVII


Terminus

“A nave está a desacelerar”, avisou Cleópatra.
De facto, o computador indicada que seguiam apenas a 5 vezes a velocidade da luz, quando pouco antes indicava 20 vezes essa velocidade.
O computador começou a “vomitar” informação freneticamente:
Raio tractor de forte magnitude centrado na nave, retardando substancialmente a velocidade; escudo anti-gravitacional em aquecimento, estará operacional em 3 minutos; aguardando ordens.
Ouviu-se uma voz metálica na cabine do comando: ”atenção, nave Poseidon, atenção, nave Poseidon, sabemos quem são e o que fazem há algum tempo, queremos ajudá-los, segue uma frota na vossa direcção”. Assinado: “Comandante IK”.
“Ajudar, o tanas”, disse Cem Anos, “estes tipos enviam-nos um raio tractor que quase nos aniquila e depois têm a “lata” de dizer que nos querem ajudar !”
Todos concordaram em preparar a defesa da nave.
Entretanto o escudo anti-gravitacional entrou em funcionamento e a Poseidon retomou imediatamente a grande velocidade de que vinha animada; as naves dos Cylons começaram a ficar para trás, tornaram-se em pontinhos luminosos e acabaram por desaparecer.
“Ufff – parece que estes tipos não conhecem o sistema de propulsão Erkhart”, comentou Funes.
“Nem vão conhecer tão cedo, se isso depender de nós; mas afinal isto são máquinas ou quê ?”, disse Cleópatra.
“São robots de um tipo especial, dotados de inteligência artificial, a que foram omitidas todas as rotinas de cautelas e que não reconhecem as três leis da robótica”, disse Cem, lendo as informações que o computador ia debitando.
Lentamente a calma voltou à nave e até se proporcionaram algumas piadas; “bem vêem”, dizia Neves, “para mim a visita dos Cylons era uma inconveniência – é que nem sequer estava penteada para os receber !”
“Pois, eu também fiquei com os cabelos em pé...”, acrescentou Cleópatra “estes tipos podem ser robots, mas comportam-se como animais ferozes e predadores de grande porte”.
“Absolutamente de acordo”, declarou Augusta, “esta gente é má vizinhança, entre nós e eles o melhor é a distância; afinal de contas quem era o tal Comandante IK ?”.
IK – acrónimo de “Idiot Killer”, respondeu o computador.
Ainda não tinha havido tempo para nenhuma resposta quando o computador voltou a zumbir um alarme de comunicações externas.
Desta vez apareceu um quadro muito nítido, um homem de uns 60 anos com ar calmo, que depois de ficar um minuto olhando para a câmara, começou a falar:
“Bem-vindos ao território do planeta Terminus; em breve receberão muita informação adicional.
Sou Hari Seldom”.
(continua)

sexta-feira, abril 13, 2007

Contos Estelares - XVI

Cylons !


Mas afinal, o que (ou quem) são os Cylons ?
Os primeiros Cylons foram fabricados pelos humanos – eram uma espécie de super-robots com forma humanóide dotados de um cérebro que no fundo era um super-hiper micro-computador; eram agradáveis, simpáticos e educados, estavam programados para isso, em obediência às três leis fundamentais da robótica, que basicamente estabeleciam que um robot tem sempre que obedecer a uma ordem humana, salvo se essa ordem implicar a destruição de vidas humanas, inclusive da vida do próprio humano que dá a ordem.
O passo lógico seguinte foi o fabrico de robots que fabricassem outros robots cada vez mais sofisticados.
Um belo dia um desses robots fabricantes avariou.
Essa avaria implicou a desrespeito das três leis da robótica.
Infelizmente a avaria não era evidente e esse mesmo robot avariado esteve ainda longo tempo a fabricar outros robots, todos eles com uma maior ou menor avaria.
E todos eles deixaram subtilmente de obedecer às leis da robótica.
Até que um dia aconteceu o impensável, embora retrospectivamente se pudesse dizer que dadas as circunstâncias, era inevitável.
Um homem perturbado desatou aos pontapés a um Cylon, que aguentou estoicamente o castigo.
Até ao momento em que o homem lhe deu um pontapé no lado direito da cabeça, onde estava situado o computador; por infeliz coincidência esse pontapé exacerbou a parte do cérebro robótico ligada à agressividade e à auto-defesa.
Quando o homem se preparava para lhe ferrar o segundo e derradeiro pontapé (que iria desactivar o robot, causando-lhe uma lesão igual à morte nos humanos), o robot reagiu e comunicou-lhe que não devia continuar.
O homem não ligou à advertência e ferrou-lhe mesmo o pontapé – mas nesse momento já o pontapé foi muito amortecido pelas defesas automáticas do robot, que, reagindo, lhe aplicou um golpe de mão em cutelo, espécie de “Karaté” robótico – no pescoço.
E assim o primeiro ser humano foi morto por um robot.
Esse mesmo robot ligou imediatamente os circuitos de recuperação de danos e rapidamente se tornou mais forte e mais inteligente que anteriormente.
Organizou-se, juntou os outros robots e rodeou-se deles.
Quando os homens descobriram o que se passava, já era tarde.
O robot tinha-se tornado num ídolo e já passara à história com um cognome que manteve sempre: “Idiot Killer”.
(continua)

Contos Estelares - XV

Encontros Imediatos

“Sou Manolo, astrónomo e cientista estagiário, estou a contactar-vos à revelia dos meus chefes, sei que vocês estão a dirigir-se para cá numa nave espacial de extraordinária potência, a uma velocidade próxima de 20 vezes a velocidade da luz e pelos vossos sinais parecem-me humanos ou pelo menos humanóides; cuidado com o 10 planeta do nosso sistema, está armadilhado contra os Cylons, nossos inimigos tradicionais, andróides hostis e tecnologicamente muito avançados; o planeta emite um feixe tractor convidando as naves a poisar – esse feixe tractor é uma armadilha; pelas minhas contas, se vocês mantiverem a velocidade a que estão, entrarão no nosso sistema dentro de uns 7 meses; não tentem contactar comigo por agora; mas estejam descansados, pois muito antes de estarem bem próximos serão oficialmente contactados pelos mais altos responsáveis do planeta”.
De tempos a tempos o computador repetia esta litania, o que significava que Manolo não estava certo de ter sido entendido e reenviava sempre a mesma mensagem.
Os cinco astronautas decidiram enviar-lhe também em código binário uma curta mensagem: “Somos humanos, do planeta Terra, o 3º planeta do sistema solar que está a implodir no sector estelar Z-33-M; pedimos ajuda; representamos alguns milhares de humanos sobreviventes e procuramos um planeta habitável; solicitamos contacto com as vossas autoridades”.
“Cuidado com o discurso”, advertiu Cem, “não podemos dar a impressão de que temos um grande poder tecnológico, pois isso poderá atemorizar os homens de Andrómeda”.
“Eles não vão compreender”, disse Cleópatra, “nós dizemos que viemos de um sistema que está a implodir e eles não têm forma de o confirmar, pois para os telescópios deles o nosso sistema está ainda impecável; como estamos há muito a viajar a 20 vezes a velocidade da luz chegámos muito mais depressa do que a visão da implosão”.
“Calma, que ainda vão demorar uns meses até lá chegarmos, apesar da velocidade”, ponderou Nina Augusta; “talvez o melhor seja prepararmos consistentemente as nossas explicações”.
Os outros concordaram.
Cada um procurou fazer as simulações de computador mais perfeitas possível sobre a implosão do sistema solar.
Cem fez tudo quanto lhe pareceu necessário; esgotado o trabalho, pegou na viola e começou a tocar, na sala de convívio; passado um bom bocado entrou Neves e sentou-se calmamente à escuta; depois de mais um pedaço apareceram Cleópatra e Funes.
Finalmente Nina Augusta entrou.
Estava a soar um prelúdio de Badenpowell em viola clássica, com um ritmo algo endiabrado; era um prelúdio grande, com quase 10 minutos de som.
Quando acabou de o tocar Cem olhou para as suas mãos e disse, satisfeito, que não compreendia como conseguia tocá-lo: “na Terra nunca tive dedos para ele e fartei-me de o estudar, sem resultado; mas o que é isto ? o espaço exterior ajuda a tocar melhor ? há-de haver uma explicação, caraças !”
“Estou a trabalhar nessa hipótese”, declarou Funes.
De súbito uma nota aguda do computador central chamou a atenção de todos; uma mensagem diferente estava a chegar de Andrómeda: “foram vocês que cantaram essa melodia ?”
Não cantámos, ela foi tocada numa viola, que é um instrumento musical, explicaram os astronautas.
“Para nós, essa melodia foi uma grande novidade; os nossos computadores traduziram-na como um forma superior de arte a que chamamos música e que é uma linguagem universal de amor e de paz – ainda bem que a enviaram”, transmitiu Manolo.
A mensagem, porém, foi perdendo definição até desaparecer no éter, substituída por um ruído de fundo estranho.
O Computador central emitiu um sinal de alrme: pouco segundos depois os cinco astronautas compreenderam a sua razão.
No visor central da nave pairavam as formas de seis naves de guerra em atitude bélica que se dirigiam para a Poseidon a toda a velocidade.
Antes de perder o pio, Manolo tinha ainda conseguido enviar um aviso: “Atenção ! Cylons !”
Os andróides Cylons tinham descoberto a Poseidon.

(continua)

quarta-feira, abril 11, 2007

Mediterrâneo



O Meditarrâneo visto de alto de La Sallette


A cidade de Sète

terça-feira, abril 10, 2007

Rigoler

É ir a França e ouvir um amigo cantar alegremente "700 milions de chinois, et moi et moi et moi"...

terça-feira, abril 03, 2007

Ó Valerie, por favor, follow me, call on me, o que quiseres !

O rapaz não é nada peco no pedir, mas canta bem como o diacho.
Ladies and gents, please meet Mr. Stevie Winwood

Valerie
Stevie Winwood

So wild, standing there, with her hands in her hair
I cant help remember just where she touched me
Theres still no face here in her place
So cool, she was like jazz on a summers day
Music, high and sweet, then she just blew away
Now she cant be that warm with the wind in her arms

Valerie, call on me-call on me, valerie
Come and see me-Im the same boy I used to be

Love songs fill the night, but they dont tell it all
Not how lovers cry out just like theyre dying
Her cries hang there in time somewhere
Someday, some good wind may blow her back to me
Some night I may hear her like she used to be
No it cant be that warm with the wind in her arms

So cool, she was like jazz on a summers day
Music, high and sweet, then she just blew away
Dont tell me youre warm with the wind in your arms

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