Blog que trata dos livros, da leitura, da música e da reflexão política e social.

domingo, dezembro 31, 2006

Saddam enforcado

Lá liquidaram Saddam, como se esperava.
O mundo ficou muito mais seguro - para o provar, registe-se que só ontem, 30 de Dezembro, dia em que executaram o ditador iraquiano, morreram mais de 100 soldados norte-americanos no Iraque em emboscadas e armadilhas várias.

terça-feira, dezembro 26, 2006

Sarah McLachlan

Esta mulher é um espanto !
Para vê-la e ouvi-la, clique aqui (Angel) ou aqui (I will remember you).
É uma artista canadiana pouco conhecida entre nós, que vale realmente a pena conhecer.
"I wil remember her" !
(Obrigado pela inspiração, Nina).

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Esfregar-lhes o focinho com palha de aço

"Parti o coco" a rir deste post do Funes, El Memorioso:

A América decidiu este ano proibir a palavra Natal. Era politicamente incorrecta. Podia ofender os crentes de outras religiões não cristãs. Vai daí, os postais de Natal passaram a chamar-se "postais de estação". E em vez de desejarem merry Christmas, desejam agora uma feliz holiday season.
Então estes gajos não mereciam que se lhes esfregasse o focinho com palha de aço, até lhes ser arrancada a estupidez que têm no cérebro?

domingo, dezembro 24, 2006

Ai, as Boas Festas !

Nunca enviei um cartão de boas festas.
Correndo o risco de ser mal interpretado, nunca respondi a cartões de boas festas.
É para mim um mistério como e porque é que as pessoas em geral levam a sério essa prática beijoqueira emocional concentrada na segunda quinzena de Dezembro.
Lembram-me formiguinhas no seu eterno e incessante vai-vem, que se encontram no caminho, encostam as cabeças e seguem o seu caminho depois do ritual.
Aqui há uns anos rebentou um escândalo relacionado com fundações, que levou a um exame à lupa das contas de certas entidades, tendo-se apurado que num determinado ano um (salvo erro) Secretário de Estado tinha gasto em cartões de boas festas a bonita quantia de... 750 contos !!!
À conta da fundação, claro.
Na altura lembro-me de ter pensado, no meio do meu assombro, que devia ser interessante saber o que é que vai na cabeça de alguém que consegue gastar tal quantia em desejos de boas festas – tais cabeças são para mim um verdadeiro mistério e ainda hoje não as percebo minimamente.
É evidente que desejo boas festas a toda a gente – durante todo o ano, durante todas as festas e nos intervalos das ditas, o que eu mais quero é que toda a gente faça o favor de ser feliz.
Mas será preciso dizê-lo neste curto espaço de 15 dias ?
Será necessário alinhar nessa colossal osculação emocional para se ser uma pessoa civilizada ?
Deixo a pergunta – a minha resposta é evidente, mas como (mais uma vez) pareço estar em contradição com a esmagadora maioria das pessoas, tenho de admitir que se calhar quem não está a ver bem a coisa sou eu.
 

sábado, dezembro 23, 2006

Nem "sim" nem "não", antes muito pelo contrário

Sempre me impressionou a paixão, a carga emocional que aparece invariavelmente nos debates sobre o aborto.
Sente-se que os partidários do “sim” odeiam os partidários do “não” e vice-versa - enfim, poderão não odiar-se formalmente, mas mostram uma enorme repulsa pelos do “outro lado”.
Não comungo das certezas de nenhum dos lados.
Tenho muita pena da mulher que decide abortar – é uma opção dramática desde logo para a própria mulher, provavelmente também o será para o seu parceiro e mesmo para a família alargada de ambos.
O aborto é uma desgraça.
Sinto-me razoavelmente enojado pela apropriação desse drama por parte das formações políticas, que friamente contabilizam o seu sucesso ou insucesso eleitoral em função dos números dessa desgraça.
No dia do referendo o mais provável é não ir votar – prefiro abster-me a dar um voto de confiança a quem explora dramas humanos como forma de fazer política.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

E se...

Quiser oferecer um livro alusivo à quadra ?
Poderá sempre optar pelos clássicos - lembre-se da história de Ebenezer Scrooge, contada por Charles Dickens em A Christmas Carol.

Tous les garçons et les filles


Que saudades ! Quelle beauté, bon Dieu !

quarta-feira, dezembro 13, 2006

terça-feira, dezembro 12, 2006

Je ne regrette rien


Edith Piaf - Je Ne Regrette Rien

Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait, ni le mal
Tout ça m'est bien égal

Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié
Je me fous du passé

Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux

Balayés mes amours
Avec leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro

Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
Ni le bien, qu'on m'a fait, ni le mal
Tout ça m'est bien égal

Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
Car ma vie
Car mes joies
Aujourd'hui
Ça commence avec toi...

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Morreu Pinochet

Morreu sem honra nem glória.
Como é próprio dos torcionários.
(Não tem direito a fotografia)

sábado, dezembro 09, 2006

Ah, la France !

Os dois últimos posts têm uma ligação.
Estou a reler Aquilino – “É a guerra” – onde ele explica exemplarmente como a corrente progressista/socialista francesa e europeia se deixou tomar pelo nacional patrioteirismo dos políticos de então.
Aquilino estava em Paris no Verão de 1914 e descreve com talento o avolumar da paranóia belicista, o início da guerra, as fanfarronadas de franceses e de alguns portugueses que pontificavam na diplomacia (um tal João Chagas, chefe da Legação portuguesa em Paris, é descrito como o protótipo do tipo medíocre alcandorado a um lugar importante na diplomacia à força de “cunhas”), as mentirolas constantes da propaganda, o realismo a tomar conta dos parisienses e o desânimo de ver os alemães a entrarem por França como por vinha vindimada, sem oposição à altura.
Foram decerto tempos muito conturbados – Jaurés tinha sido assassinado pouco tempo antes.
Brassens representa a herança progressista vazada em música e é um legítimo representante daquilo a que se convencionou chamar “la chanson française”.
(A suivre – se possível).

Brassens

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Aquilino Ribeiro


A escrita deste Homem é absolutamente imprescindível para quem queira conhecer um pouco da alma portuguesa.
Tão à vontade em Paris, convivendo com embaixadores e cocottes, como nas fragas de Moimenta, Ruivães e Penedono, entre pastores e feirantes, Aquilino Ribeiro é para mim um dos grandes autores de língua portuguesa do séc. 20.
Durante a ditadura foi perseguido, mas Salazar não podia meter nas cabeças que o Mestre deixara de ser Mestre por decreto do ditador.
Após 1974 não me lembro de ter visto nenhuma homenagem relevante ao Mestre.
Aquilino trata a língua portuguesa com uma maestria única: há vocábulos que só mesmo nas suas obras se podem ler.
O livro "Quando os Lobos Uivam" foi proibido pela ditadura e o autor julgado (penso que já no tristemente famoso Tribunal Plenário) e uma das agravantes que lhe foi encontrada foi a de que tinha um filho... juiz.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Assim começou...

Nesse Verão esteve um calor esbraseante.
Eu era adolescente e andaria pelos 15 a 17 anos.
Apanhei-me em férias e comecei a ler furiosamente tudo o que me chegava à mão (tinha descoberto há pouco tempo que havia literatura clandestina, proibida pelas autoridades, que era naturalmente a mais gostosa).
Várias pessoas que eu conhecia, adultos por quem tinha grande consideração, falavam dos “Cem Anos de Solidão” como um marco da literatura, escrito por um homem de esquerda que no Portugal de então não seria pessoa benquista.
Arquivei a informação.
Numa saltada a uma livraria descobri uma edição do livro – salvo erro da Europa-América – que comprei imediatamente.
Voltei para casa a meio da tarde, fui para o meu quarto e toca de ler, ler, ler.
Não me lembro do jantar desse dia, só me lembro de estar outra vez no meu quarto a ler.
Não parei até acabar.
Ou seja, não dormi até ao dia seguinte.
Nessa manhã quando dei por mim, excitadíssimo com a leitura, senti-me esquisito.
Fui por um termómetro – tinha febre, embora baixa.
Compreendi então que as sensações podem ser tão fortes que acabam por provocar consequências orgânicas.
Depois, com mais calma, reli várias partes do livro.
Assim começou a minha relação de admiração e de encantamento com esse homem portentoso que é Gabriel Garcia Márquez.

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