Blog que trata dos livros, da leitura, da música e da reflexão política e social.

segunda-feira, outubro 04, 2010

Sócrates - O Antes e o Depois

Palavras para quê ? É um artista português...

domingo, outubro 03, 2010

Estado deixa de comprar carros

O Estado e as empresas públicas deixaram de comprar carros em virtude das novas regras de contenção orçamental.

Coitados ! Pobre gente ! Vão ter que se governar coms os BMWs e os Mercedes topo da gama comprados há mais de 6 meses !
Realmente, custa muito ser patriota.

Lema do "Estado Social"

Estado Social é a variante portuguesa do forrobódó socialista e o seu lema é:

Para os amigos tudo, para os inimigos nada, quanto aos restantes, cumpra-se a lei !

Renúncia


Eu renuncio!

Neste momento de aflição em que todos temos de dar as mãos e deixar de olhar só para o nosso umbigo, correspondo ao apelo de quem nos governa e de quem apoia quem nos governa, faço pública parte da lista do que o Estado criou e mantém para minha felicidade, e de que de estou disposto a patrioticamente prescindir.
Assim:
Renuncio a boa parte dos institutos públicos criados com o propósito de me servir;
Renuncio à maior parte das fundações públicas, privadas e áquelas que não se sabe se são públicas se privadas, mas generosamente alimentadas para meu proveito, com dinheiros públicos;
Renuncio a ter um sector empresarial público com a dimensão própria de uma grande potência, dispensando-me dos benefícios sociais e económicos correspondentes;
Renuncio ao bem que me faz ver o meu semelhante deslocar-se no máximo conforto de um automóvel de topo de gama pago com as minhas contribuições para o Orçamento do Estado, e nessa medida estou disposto a que se decrete que administradores das empresas públicas, directores e dirigentes dos mais variados níveis de administração, passem a utilizar os meios de transporte que o seu vencimento lhes permite adquirir;
Renuncio à defesa dos direitos adquiridos e à satisfação que me dá constatar a felicidade daqueles que, trabalhando metade do tempo que eu trabalhei, garantiram há anos uma pensão correspondente a 5 vezes mais do que aquela que eu auferirei quando estiver a cair da tripeça;
Renuncio ao PRACE e contento-me com uma Administração mais singela, compacta e por isso mais económica, começando por me resignar a que o governo seja composto por metade dos ministros e secretários de estado;
Renuncio ao direito de saber o que propõem os partidos políticos nas campanhas pagas com milhões e milhões de euros que o Estado para eles transfere, conformando-me com a falta de propaganda e satisfazendo-me com a frugalidade da mensagem política honesta, clara e simples;
Renuncio ao financiamento público dos partidos políticos nos actuais níveis, ainda que isso tenha o custo do empobrecimento desta democracia, na mesma mesmíssima medida do corte nas transferências;
Renuncio ao serviço público de televisão e aceito, contrariado, assistir às mesmas sessões de publicidade na RTP, agora nas mãos de um qualquer grupo privado;
Renuncio a mais submarinos, a mais carros blindados, a mais missões no estrangeiro dos nossos militares, bem sabendo que assim se põe em perigo a solidez granítica da nossa independência nacional e o prestígio de Portugal no mundo;
Renuncio ao sossego que me inspira a produtividade assegurada por 230 deputados na Assembleia da República, estando disposto a sacrificar-me apoiando - com tristeza - a redução para metade dos nossos representantes.
Renuncio, com enorme relutância, a fazer o percurso Lisboa-Madrid em 3h e 30m, dispondo-me - mesmo que contrariado mas ciente do que sacrificio que faço pela Pátria - a fazer pelo ar por metade do custo o mesmo percurso em 1 h e picos, ainda que não em Alta Velocidade.
Renuncio ao conforto de uma deslocação de 50 km desde minha casa até ao futuro aeroporto de Lisboa para apanhar o avião para Madrid em vez do TGV, apesar da contrariedade que significa ter de levantar voo e aterrar pertinho da minha casa.
Renuncio a mais auto-estradas, conformando-me, com muito pena, com a reabilitação da rede nacional de estradas ao abandono e lastimando perder a hipótese de mudar de paisagem escolhendo ir para o mesmo destino entre três vias rápidas todas pagas com o meu dinheiro, para além de correr o triste risco de assistir à liquidação da empresa Estradas de Portugal.
Seria fastidioso alongar-me nas coisas que o Estado criou para o meu bem estar e que me disponho a não mais poder contar. E lanço um desafio aos leitores do 4R : renunciem também! Apoiemos todos, patrioticamente, o governo a ajudar o País nesta hora de aflição. Portugal merece.

Comentário: estou de corpo e alma com este patriótico esforço; renuncio igualmente a todas as mordomias de que fala o excelente post do 4ª República; direi mesmo que faço questão de renunciar.

quinta-feira, setembro 30, 2010

Impostos, salários et alia

Para quem ganha 3000 ou 4000 euros, um corte de 10% representa uma diminuição de 300 ou 400 euros de rendimento; é uma contrariedade, deixa de se poder comprar algumas coisas que estavam programadas, dizem-se uns impropérios e a coisa fica por aí.

Para quem ganha 1000 ou 1500 euros, um corte de 5% representa uma “talhada” de 50 a 75 euros por mês, que pode ser dramática, pois 1000 ou 15000 euros de rendimento mensal já está no limite do suportável.

Para quem ganha 15000, 20000 e 30000 euros, como grande parte da classe política, dos gestores e dos “jornalistas” chefes de redacção de jornais, rádios e TVs, um corte de 10% nem se sente, não chega a ser uma contrariedade, é um detalhe.

É bom que se compreenda isto, quando os vemos com ar compungido a defender o aumento de impostos e o corte de salários.

quarta-feira, setembro 08, 2010

Jornalismo de "serviço"






Manuel António Pina continua a ser um caso de lucidez recorrente no panorama jornalístico.
Eis a sua crónica mais recente no Jornal de Notícias, que se cita com vénia:

Jornalismo de "serviço"

A entrevista "non stop" que, desde que foi condenado, Sua Inocência tem estado ininterruptamente a dar às TVs teve o mais respeitoso e obrigado dos episódios na RTP1, canal que é suposto fazer "serviço público".
Desta vez, o "serviço" foi feito a um antigo colega, facultando-lhe a exposição sem contraditório das partes que lhe convêm (acha ele) do processo Casa Pia e promovendo o grotesco julgamento na praça pública dos juízes que, após 461 sessões, a audição de 920 testemunhas e 32 vítimas e a análise de milhares de documentos e perícias, consideraram provado que ele praticou crimes abjectos, condenando-o à cadeia sem se impressionarem com a gritaria mediática de Suas Barulhências os seus advogados, o constituído e o bastonário.
Tudo embrulhado no jornalismo de regime, inculto e superficial, de Fátima C. Ferreira, agora em versão tu-cá-tu-lá ("Queres fazer-lhe [a uma das vítimas] alguma pergunta, Carlos?"). O "Prós & Contras" só não ficará na História Universal da Infâmia do jornalismo português porque é improvável que alguém, a não ser os responsáveis da RTP, possa chamar jornalismo àquilo.

terça-feira, setembro 07, 2010

Prós e Contras - 6/Set/2010

Estava a ver o programa "Prós e Contras" na TV, que neste momento ainda está no ar.
Confesso que depois do intervalo deixei de o ver.
É de vómito.
Marinho Pinto fala do processo Casa Pia com um grande à vontade... para logo a seguir reconhecer que nem o conhece - lindo, um advogado tecer considerações concretas sobre um caso concreto e uma condenação em concreto que nem conhece; espectacular.
O tempo de antena atribuído a um dos arguidos é incrível.
Estou convencido que a maior parte das estações de TV e de comentadores que têm dado todo esse tempo de antena a Carlos Cruz se estão nas tintas para o facto de ele ser culpado ou inocente dos crimes por que foi condenado - estão, sim, e sem dúvida, empenhados seriamente em descredibilizar a justiça.
Este "Prós e Contras" representa a justiça transformada num fait divers ao alcance da coitada da FCFerreira, que além de pouco brilhante (para dizer o mínimo) é de um atrevimento fora de série - costuma dizer-se, não sem razão, que a ignorância é muito atrevida.
Fiz mal em ver esse nojo de programa - vou sentir náuseas durante um tempo indeterminado e nem os sais de frutos me valem.

sábado, agosto 28, 2010

Raposo, mas pouco - é mas é Burro

Nem de propósito.

Tinha acabado de comprar o Expresso quando deparei com este post do José da Porta da Loja e fui ler a crónica do tal Raposo.

É difícil juntar um tal chorrilho de lugares comuns ao nível do mais popularucho – o sr. Raposo conseguiu demonstrar que além de não perceber realmente nada do assunto (no que aliás está bem acompanhado – vide crónica de Sarsfield Cabral que ultimamente comentámos), está repleto de certezas cuja existência radica directa e imediatamente na sua profunda ignorância mesclada com uma já normal antipatia pelas magistraturas.

Além de misturar magistratura judicial com magistratura do Mº Pº, metendo-as alegremente no mesmo pacote e ultrapassando à vol d'oiseau os detalhes que para ele serão pequenos (como o “pequeno” detalhe de os juízes serem titulares de um órgão de soberania e de os Procuradores o não serem), o indivíduo fala de sindicalismo judiciário como se ele equivalesse a greves de magistrados a torto e a direito, o que nunca aconteceu.

Esquece outro detalhe: se, por alguma hecatombe constitucional, os juízes fossem expressamente proibidos de constituírem sindicatos, rapidamente essa proibição seria contornada com a criação de uma ou mais “associações de juízes” com conteúdos insindicáveis pelo poder político; era o que se fazia antes do 25 de Abril de 1974, em que as mais diversas proibições eram contornadas com a criação de agremiações mais ou menos conhecidas que acabavam sempre por fazer aquilo que entendiam até ao dia em que fossem encerradas – para abrirem portas logo a seguir com outro nome, retomando o ciclo.

Qualquer papalvo conhecedor do Portugal pré-democrático sabe isto, que o sr. Raposo não parece saber.

Outra confusão do cavalheiro: como é possível os tribunais andarem tão malzinho, se os juízes são na sua esmagadora maioria bem classificados ?

Mas então o sr. Raposo pensa que os juízes esgotam o conjunto de poderes que se manifestam nos tribunais ?

O sr. Raposo não sabe que há leis excessivas e frequentemente contraditórias, que há advogados, que há todo um corpo de funcionários judiciais que nem sequer estão sujeitos ao poder hierárquico dos juízes, que há milhares de processos executivos que não andam nem andarão devido aos sucessivos e enormes erros legislativos cometidos pelos seus tão louvados políticos democraticamente eleitos ?

Não sabe: ele só sabe é que os juízes são razoavelmente bem classificados e os tribunais não funcionam bem, logo haverá aqui uma contradição insanável só explicável pelo inefável corporativismo da classe que ele, qual Catão justiceiro, submete ao látego da sua crítica rigorosa...

Este Raposo parece uma personagem de Eça de Queirós, um Dâmasozinho Salcede atento, venerador, obrigado e... burro que nem uma porta ondulada, mesclando a sua burrice com a ignorância, que anda normalmente de mãos dadas com a incompetência.

Não vou perder mais tempo com o Raposo.

José, tem toda a razão – a crónica deste cavalheiro é um atentado à inteligência e à cultura judiciária, cuja existência aliás, ele nem sequer pressente.

É um burro a dizer burrices que outros burros pensaram antes dele e nas quais só os burros acreditam.

terça-feira, agosto 24, 2010

PGR investiga atrasos no Freeport

Como sempre, a actuar em função dos jornais e das TVs.
Há-de chegar longe, apesar da "boa imprensa".
Pinto Monteiro está farto de saber as causas dos atrasos e todas as contingências que rodearam a investigação do caso Freeport.
O inquérito ao inquérito que ordenou - uma investigação da investigação... - visa exclusivamente efeitos mediáticos e tal intenção não é sequer disfarçada.
É desagradável ver um juiz conselheiro a fazer estas figuras.
Mas claro, ele é que sabe as linhas com que se cose... se a dada altura já ninguém o respeitar ele decerto compreenderá porquê.

domingo, agosto 22, 2010

Fugir


Nos anos 50-60-70 do século passado as pessoas emigravam para o estrangeiro por diversas razões: para fugirem à miséria, para arranjar trabalho condigno, para não irem para a guerra.
Hoje há muitos portugueses, especialmente jovens qualificados, que se vão embora para se livrarem... do País.
Vão procurar lá fora as condições de vida socio-profissional que Portugal não lhes pode oferecer, pois o dinheiro esgota-se nos bolsos da classe política e respectivos amigos e pouco sobra para quem trabalha e investiga.
Têm razão: este sítio mal frequentado está cada vez mais irrespirável.

quinta-feira, agosto 19, 2010

Fui de férias



... Mas mantenho um olhar atento sobre este pequeno mundo ruidoso e por vezes malcheiroso que faz o nosso dia a dia.

Interferências governamentais na justiça

(...)
Passos Coelho tem razão quando acusa o Governo de ter interferido na Justiça.
O Governo tem de explicar quais os imperiosos motivos que impeliam a continuação do vice-PGR, Mário Gomes Dias, após a data em que se deveria ter jubilado. Tem de indicar, com a prontidão que até agora ocultou, quais as razões tão impreteríveis que coagiam a alteração do próprio Estatuto do MP através de uma lei com um destinatário imediato e definido. E o Governo tem de confirmar se considera virtuoso, recto e avisado que esse mesmo magistrado, para o qual, pelos vistos, se movem montanhas políticas e legislativas, seja o autor da ordem de conclusão do inquérito ao caso Freeport para 25 de Julho, uma data que não cedeu sequer um mês aos investigadores para analisarem o relatório final da PJ (recebido a 21 de Junho), com 535 páginas, quando ainda aguardavam resposta a quatro cartas rogatórias, e, sobretudo, inutilizando a inquirição de José Sócrates, entre outros.
(...)
Carlos Abreu Amorim, Diário de Notícias

segunda-feira, agosto 16, 2010

sábado, agosto 14, 2010

Isto não é um País



É um sítio mal frequentado.

Tirar o curso de Direito, andar a queimar as pestanas durante anos a fio, gastar o carcanhol paterno/materno em livros, sebentas, alojamento e tudo o mais que implica ir para uma universidade - para depois apanhar uma Ordem dos Advogados demagógica e popularucha que não se ensaia nada em mandar às malvas o esforço do jovem licenciado, é no mínimo o cúmulo do azar.

quarta-feira, agosto 11, 2010

Notícias tecnológicas

Foi disponibilidade ontem o "upgrade" do Android 2.2 (também conhecido por "Froyo") da Optimus para o HTC Desire (perdoem o linguajar tecnológico, mas é a forma mais simples de o dizer).
A descarga do sistema operativo faz-se directamente no telemóvel e convém usar-se uma rede Wifi porque são cerca de 90 MB.
Após a descarga o próprio sistema se auto-instala sem qualquer intervenção do utilizador.
O único problema que detectei foi a desconfiguração dos serviços internet, coisa que se resolveu com uma chamada para os serviços técnicos da Vodafone que foram impecáveis - ensinaram-me a configurar manualmente o telemóvel, acompanhando passo a passo a operação.
Entretanto, para os que se interessam por estes temas, aqui vai o endereço da comunidade portuguesa do Android - http://www.androidpt.com/ .

domingo, agosto 08, 2010

Bicicleta tecnológica – o Android em duas rodas

Aproveitando as férias para ganhar boa forma, tenho feito muitos passeios de bicicleta.
Entretanto tinha comprado um “smartphone” equipado com o sistema Android e qual não foi o meu espanto quando descobri que o Android Market tem várias aplicações gratuitas que tornam o telefone num poderoso computador portátil para bicicletas...
Dois programinhas deixaram-me espantado: o Sportstracker e o Ridetrac.
Quer um quer outro registam o percurso feito em bicicleta, a velocidade média, as variadas velocidades atingidas durante a passeata, mostrando o mapa onde ela ocorreu com o trajecto marcado; o Sportstracker chega ao cúmulo de proporcionar o filme do trajecto, mostrando velocidades, paragens, direcções, um detalhe que nunca tinha visto.
Estes sistemas usam, claro, GPS, e estão baseados no Google Maps, indicando tudo o que se pretende com um detalhe impressionante – inclusive a perda de calorias calculada para cada saída na bicicleta, o que é importante para quem está a tentar perder algum peso.
Tudo ao alcance de uns quantos cliques e tudo rigorosamente gratuito !
Confesso que estou a ficar um adepto do Android.

segunda-feira, agosto 02, 2010

Summertime

Vou para férias mas irei manter sempre que possível o contacto.
Para os leitores, os meus votos de excelentes férias com muitos banhos de sol e de mar.
E uma sugestão: não levem “isto” demasiado a sério – correm o risco de apanhar uma depressão e continua tudo por resolver.
Deixo-vos uma versão lindíssima do Summertime, por Ella Fitzgerald e Louis Amstrong.

sábado, julho 17, 2010

Pesadelo - ou o sonho de uma noite de Verão

A noite passada tive um pesadelo.
É quase uma coisa normal, volta e meia os sonhos perdem a tramontana e sem ponta de sensatez desabam em cima de assuntos complicados.
A maioria das vezes que sonho ou que tenho pesadelos lembro-me deles apenas muito vagamente e frequentemente só sei que tive um sonho mas nem me lembro sobre o que foi.
Este foi diferente e por isso marcante.
Desde logo porque me lembro do sonho/pesadelo com todos os pormenores, ao vivo e a cores.
Sonhei que tinha ido à Festa do Avante e que tinha perdido o meu carro ou alguém mo roubou, não sei, acordei a meio da noite a suar tremendamente e revoltadíssimo por me terem sacado a viatura, preocupadíssimo porque não a encontrava.
Depois lembrei-me que o carrinho estava arrumado lá em baixo ao pé da porta e acalmei.
O que isto tem de estranho é que em toda a minha vida fui duas ou três vezes à Festa do Avante e a última vez que lá fui, foi seguramente há mais de 20 anos.
Há duas dezenas de anos que o pensamento de ir à Festa do Avante nem sequer me perspassa pelas meninges.
Continuo a não ter a menor intenção de lá ir.
Gostava de saber se isto é um puro acaso ou se um psiquiatra freudiano me iria descobrir algum recalcamento anti ou pró comunista..., caspité há montes de anos que não penso em política sob o enfoque ideológico.

sexta-feira, julho 16, 2010

Antoine Dufour - Trilogie Acoustic Guitar


Antoine Dufour é um virtuoso, como é evidente, produzindo sonoridades espantosas.
Observem que está a tocar numa viola de cordas de aço, com "cutaway" e um pano qualquer amarrado na cabeça da viola para abafar ressonâncias,
usando unhas especiais na mão direita.
A viola é uma Stonebridge 23CR-DC da série Millenium que tem o som reverberante que estão a ouvir.
Embora sem jurar, tenho a impressão de que ele está a tocar num tom aberto, MI ou RÉ.
Escuso de salientar a técnica deste músico fora de série.
Podem ver aqui outra: Catching the Light. e ainda outra aqui: Ashes in the Sea.

sábado, julho 10, 2010

Grosseria

MC “satisfeito” com demissão de director-geral das Artes

O Ministério da Cultura aceitou “com grande satisfação” o pedido de demissão do director-geral das Artes. E já tem um substituto para o cargo. Acusa Barreto Xavier de ser o responsável pela ausência de diálogo entre Gabriela Canavilhas e os agentes culturais.

Comentário: isto é de uma tremenda grosseria e qualifica a titular do Ministério, uma mulher que se calhar gostaria de ser uma senhora.

domingo, julho 04, 2010

Metam o prémio no....



Foi o desabafo que Paulo Nozolino teve quando soube os detalhes vexatórios do prémio que lhe tinha sido atribuído por um departamento do Ministério da Cultura.
É uma atitude de dignidade pouco habitual, que por isso mesmo é de realçar.

quinta-feira, julho 01, 2010

As aventuras da Tareca




A minha gatinha Tareca tem várias características próprias, pessoais e intransmissíveis.
Uma das suas qualidades é a de estar sempre repimpada em cima do livro ou do objecto que naquele momento por alguma razão precisei.
Se preciso de consultar um código, é limpinho, lá está a Tareca curtindo uma preguicite aguda em cima do dito; se preciso de me deitar, claro que a Tareca está em cima da minha cama fazendo cara de poucos amigos às minhas tentativas de a enxotar; se quero ir buscar qualquer coisa ao meu saco de viagem é certo e sabido que a bichana estará dentro do saco a curtir uma soneca.
Há poucos dias, ia guardar o portátil e dei com este panorama:

Ora digam lá se isto não é mesmo um agudo sentido da oportunidade...




quarta-feira, junho 30, 2010

Acabou

A aventura futeboleira e patrioteira sul-africana.
Gaudeamus igitur.
Alea jacta est.

terça-feira, junho 29, 2010

O Japão e o futebol

Verifico que na equipa da selecção japonesa de futebol existe um jogador Honda.
Não existe um Toyota, um Sony, ou sequer um Mitsubichi.
Parece-me que isso é uma violação do princípio da proporcionalidade.
Esta malta do futebol não respeita nada nem ninguém, deviam era ir todos "dentro".

domingo, junho 27, 2010

Novidades musicais

Já me tinham falado há anos em programas que fazem a descarga de ficheiros do Youtube para formato MP3.
Na altura pesquisei qualquer coisa, mas desisti, já não sei porquê.
Entretanto o Youtube tornou-se incontornável: quase tudo o que há de mehor em música consta lá.
Há 3 dias, melancólico com a falta de algumas canções de que gosto especialmente e só consigo encontrar no Youtube, fiz uma nova pesquisa e descobri que actualmente há dezenas de pequenos programas “freeware” para descarga e conversão dos ficheiros do Youtube para ficheiros MP3 que podemos alojar no disco dos nossos computadores.
Espectáculo.
Funciona mesmo bem.
Aqui fica a minha sugestão para os melómanos como eu: façam o download das vossas músicas preferidas, em especial daquelas que perdemos de vista há anos e adoramos, e deliciem-se a ouvi-las em alta definição sonora.

quarta-feira, junho 23, 2010

Drifting blues

Aqui vai outra do grande Clapton - Drifting Blues, uma lição de blues ao vivo.
A viola é uma Martin 000-28EC de cordas de aço e específica para blues.
Deve ser um espanto de viola - quando for grande quero ter uma.
Reparem na técnica de Clapton: toca de palheta mas também dedilha, num género que acaba por sintetizar o melhor dos dois mundos; e, last but not the least, saliente-se que a viola parece exclusivamente acústica, a amplificação é toda feita através de microfone externo, se não estou em erro.

terça-feira, junho 22, 2010

Os riscos do futebol

Nestes dias de Mundial, corro o risco de cometer um crime de homicídio voluntário qualificado, agravado por requintes de malvadez, se alguma besta me vier falar de futebol.
Que quereis ?
Todos temos os nossos limites.

segunda-feira, junho 21, 2010

domingo, junho 20, 2010

Saramago


José Saramago morreu e foi cremado.
Era um génio, foi prémio Nobel da Literatura, um vulto que se elevou sobre a sua época.
Como tal era um notável.
O acompanhamento político do seu funeral - quase todo mais correctamente apelidado de aproveitamento político – foi lamentável.
Todos os notáveis se pronunciaram, de uma forma notavelmente egoísta e impartilhável, desagradabilíssima, pelo pouco que consegui ver das cerimónias.
O melhor é esquecer este triste momento passageiro e lembrar Saramago pelo que escreveu, pela qualidade, alcance e profundidade das suas obras.
Boa viagem, José Saramago: ficamos em qualquer caso bem acompanhados pelas suas ideias e pelos seus pensamentos.

Hayley Westenra

Hayley Westenra é uma descoberta.
Senhora de uma voz clara e vibrante, colocada e firme, lembra-me a voz de Sandy Denny nos seus primeiros tempos e a voz de
Jane Relf dos Renaissance.
Aqui deixo um agradecimento à minha amiga Cleópatra que me deu a conhecer esta lindíssima voz.
Ora vejam que bela canção:

Quem sabe, sabe


Aproveitei o Domingo para ir dar umas pedaladas na minha bike, que está um mimo.
Andei aqui pelo bairro de Alvalade, Lisboa, mas fui também dar uma perninha à pista de bicicleta feita na Av. do Brasil, passei pelo Campo Grande e subi pela Av. da Igreja – um total de cerca de 45 minutos com uma perda estimada de calorias da ordem das 4.000, o equivalente grosso modo a meio Kg. de peso.
Cheguei a casa e fui visitar o site da Bike Magazine e fiquei maravilhado com a última invenção da Nokia: inventaram um dínamo que se adapta às bicicletas e carrega os telemóveis enquanto se pedala – 10 minutos de pedalada darão para cerca de meia hora de carga na pilha do telemóvel para falar e muitas mais horas para o telélé em stand by - um carregador do telemóvel que é alimentado a pedal.
Isto é que é inovação, isto é que é ter cabeça para se inventar aquilo que as pessoas precisam e gostam – simpatizo com esta malta, rais parta chego à conclusão de que viver numa sociedade nórdica deve ser muito mais engraçado do que viver aqui na parvónia.
O dínamo foi lançado no Quénia justamente porque está especialmente pensado para países em que o acesso à electricidade não é fácil, mas claro que uma vez comercializado poderá ser usado em todo o lado – inclusive no meu rico Alentejo, onde tanto gosto de passear de bicicleta, aumentando o meu raio de acção e tornando mais seguras as minhas passeatas (porque se exagerar e chegar a um ponto preocupante de exaustão física posso sempre pegar no telefonezinho e telefonar a alguém a pedir para me irem buscar – isso nunca aconteceu mas é de admitir que possa acontecer, na base da jurisprudência das cautelas).
Realmente, quem sabe, sabe.

quinta-feira, junho 17, 2010

Blogosfera irrespirável


A blogosfera começa a tornar-se irrespirável.
Abundam as private jokes, as piadas poucos recomendáveis sobre a honorabilidade ou sageza do(s) interlocutor(es), os exercícios onanistas de jogos de palavras, os insultos frequentemente acobertados no anonimato.
Mas o pior de tudo é o puro ódio visceral que se manifesta das formas e nos locais mais inesperados(as) a propósito de tudo e de nada, maxime a propósito de ideias políticas.
É impressionante ver como é possível em virtude de uma discordância construir-se um processo de intenções de parte a parte com tanta facilidade como se bebe uma bica matinal.
As chapuçadas de ódio e o lançamento de trampa em cima de tutti quanti demonstra até que ponto somos primitivos, saloios, incultos e totalmente impreparados para vivermos em sociedade.
A seguir ao 25 de Abril, num período de compreensível tensão (pois não é impunemente que se ultrapassam 48 anos de ditadura) era normal qualificar-se um tipo de “pide” ou de “fascista” mal o desgraçado manifestasse a mínima reserva sobre as “conquistas revolucionárias” que hoje sabemos que não eram conquistas nenhumas.
Hoje começa a ser vulgar apelidar-se um tipo de estúpido e mal intencionado se ele se atreve a pôr em causa a excelência da política governativa – e inversamente, é corrente a atribuição de carácter graxista, subserviente, vendido, a quem de alguma forma manifesta apoio a essa política.
Na blogosfera esses fenómenos são elevados em potência e tudo o que há em nós de primitivo, boçal, cruel ou cobarde, aparece em superlativo de uma forma que até dói - tudo muito potenciado pelo anonimato.
Começo a ficar farto desta blogosfera e não tenho grande interesse em explorar outras paragens cibernéticas.
A vida é curta.
Demasiado curta para nos perdermos em ódios e em exercícios de narcisismo literário inconsequentes e no fundo sempre lamentáveis.
Calhando, o melhor é partir para outra.

Nova bicicleta


Sabia que meia hora a andar de bicicleta queima mais de 200 Kcalorias, o que equivale, grosso modo, a uma perda de peso de 250 gramas ?
Descobri há pouco tempo numa das várias tabelas de perda de calorias.
Descobri também que o tempo de natação livre queima sensivelmente o dobro de calorias que queima o tempo de bicicleta, ou seja, meia hora de natação livre equivale a uma perda de cerca de 400 Kcalorias, equivalendo a uma perda de peso da ordem do meio Kg.
Na gravura junta está a minha nova bicicleta, de alumínio, bastante leve e robusta, a minha maior aposta para perder gorduras e reganhar um peso aceitável neste Verão.
Advertência: estes números são muito variáveis, de acordo com a idade, o sexo e o estado geral de cada um de nós, mais ginasticado ou menos ginasticado; se está interessado, consulte as tabelas referentes à sua idade e peso.
Segundo compreendi, a cada 7.700 calorias corresponde 1 Kg de peso, isto é, uma perda daquele número de calorias implicará uma perda de 1 Kg de peso.

segunda-feira, junho 07, 2010

O patrioteirismo futeboleiro

Chegou e está para ficar.
Já não se pode abrir a televisão, apanhamos logo com uma reportagem sobre a gloriosa selecção portuguesa e mais mil e um detalhes sobre a sua venturosa viagem à África do Sul.
Ver estas alminhas a confundir futebol com a Pátria, a misturar pontapés na bola com identidade nacional, a alarvejar sobre a alma portuguesa como se ela se limitasse a uma bola de futebol, dói-me.
Confundir aqueles 11 meninos milionários (mas semi-analfabetos) com a gesta portuguesa dos Descobrimentos, está para além da minha compreensão.
Este patrioteirismo foleiro é uma das coisas mais nojentas que já vi em dias da minha vida.

domingo, maio 30, 2010

Isto resolve a questão - leis retroactivas

Da ilegitimidade dos impostos retroactivos.

Está na Constituição da República portuguesa e reza assim:
Artigo 103.º
(Sistema fiscal)
1. O sistema fiscal visa a satisfação das necessidades financeiras do Estado e outras entidades públicas e uma repartição justa dos rendimentos e da riqueza.
2. Os impostos são criados por lei, que determina a incidência, a taxa, os benefícios fiscais e as garantias dos contribuintes.
3. Ninguém pode ser obrigado a pagar impostos que não hajam sido criados nos termos da Constituição, que tenham natureza retroactiva ou cuja liquidação e cobrança se não façam nos termos da lei.

Um curto esclarecimento para os meus leitores que não são juristas.
Uma lei retroactiva é aquela que visa reger relações jurídicas existentes antes de ela entrar em vigor.
As leis em geral regem só para o futuro, mas há situações extremas em que é necessário que uma lei regule relações jurídicas constituídas antes de essa lei aparecer.
Considera-se que a não retroactividade das leis é uma garantia dos cidadãos num Estado de Direito – citando um clássico, diria que no pensamento constitucional contemporâneo enraizou-se a ideia de que um Estado de Direito é sempre também um Estado de segurança jurídica, como defende o Tribunal Constitucional Federal da Alemanha, que já sufragou a ideia de que a segurança jurídica constitui um dos elementos nucleares do princípio do Estado de Direito, ficando os particulares protegidos contra leis retroactivas que afectem direitos adquiridos, de modo a evitar que seja frustrada a sua confiança na ordem jurídica.
Se vivemos num Estado de Direito, então qualquer lei retroactiva terá de ter uma explicação muitíssimo evidente, por forma a congregar à sua volta a opinião favorável de uma significativa maioria de cidadãos.
Segundo percebi, o governo pretende que uma lei fiscal que agravou o regime fiscal dos cidadãos em geral, aprovada em Maio/2010, produza efeitos retroactivos a Janeiro/2010.
Há estudos de opinião que revelam com clareza que há uma maioria de cidadãos que discordam dessa retroactividade.
Por isso, e tendo em conta o artº 103º, bº 3, da CRP, tal lei é ilegítima porque é claramente inconstitucional.
Mas isso não significa que não possam ser aprovadas leis claras não-retroactivas, que agravem o regime fiscal por forma a obter para o erário público a quantia necessária no final do ano, civil ou fiscal.
Para isso é preciso saber legislar, ter um competentíssimo apoio jurídico e ter acesso a equipas de gente muito experiente que é capaz de desenhar uma lei eficaz, bem feita, constitucional.
Implica muita reflexão à luz de um razoável saber, tudo bem misturado com bom senso e boa fé.
Infelizmente o actual legislador não dispõe de gente com esta qualidade.
Com os resultados conhecidos.

Adenda: sejamos honestos, mesmo relativamente àqueles que fazem da desonestidade uma prática regular.
Ouvi hoje/ontem, 1-6-2010, na TV, que parece que os aumentos de impostos são apenas referentes aos meses seguintes à aprovação da lei; se for assim, a lei não é inconstitucional.
É “apenas” um violento golpe nas finanças de quem menos tem e uma benesse descabida para aqueles que nadam em conforto económico.
Estes homens do governo são uns "socialistas" singulares: socializam a pobreza e deixam os ricos em paz, com o argumento extraordinário de que não convém chateá-los.
Adenda 2 - afinal parece que o aumento de impostos é mesmo retroactivo nalguns casos, como a taxação das mais valias que segundo o Ministro das Finanças abrange todo o ano de 2010; bolas, que estes maraus não param de se desdizer e de jurar a pés juntos que é verdade aquilo que ontem juravam que é mentira; os tipos andam loucos ou sou eu que estou a ficar apanhado do clima ?

sexta-feira, maio 28, 2010

Conselheiro José Marques Vidal


Este Homem é um grande senhor, vertical, incorruptível, sério até à medula e corajoso como poucos.

Escreveu hoje no Correio da Manhã:

Quando Paulo Teixeira Pinto propugna que na próxima revisão constitucional ao Ministério Público se deva retirar o estatuto de órgão de soberania, e proclama que o PSD entende que o MP é independente mas não autónomo e deve ficar obrigado a responder politicamente, expende um propósito acarinhado por certo sector do seu partido, do PS e CDS. Partidos com dirigentes e militantes suspeitos e arguidos em processos conhecidos.
(...)
Parece fluir daquela posição que os desmandos que afligem a justiça se confinam à autonomia do MP, só solucionáveis se este for submetido ao poder político. É consabido que a crise da justiça se deve essencialmente à morosidade processual, que resulta de leis entorpecedoras, confusas e contraditórias do Parlamento e à ausência de meios humanos e operacionais dos tribunais que compete ao Governo fornecer. Legisle-se um processo cível e um penal, limpos dos entraves obsoletos que os adornam, dotem-se os tribunais, as polícias, os laboratórios científicos e os organismos periciais de meios técnicos e humanos de qualidade e a justiça será célere e eficaz. A justiça é ministrada em nome do povo e a todos deve ser aplicada por igual, segundo a Constituição. A supressão da autonomia do MP lesa a igualdade dos cidadãos perante a lei e atinge a independência dos juízes. Com efeito, aquela autonomia consubstancia-se na capacidade dos magistrados poderem desencadear qualquer inquérito apenas limitados pelos princípios da legalidade e da imparcialidade. Jugular esse poder de iniciativa e submetê-lo a autorização política, seja do ministro ou do procurador-geral, é subverter uma justiça igual para todos. Acresce que o juiz, no âmbito penal, apenas julga o que o MP lhe põe sobre a mesa. Estreitada ou suprimida a iniciativa do MP, limita-se o poder de julgamento do juiz, que indirectamente vê prejudicada a raiz da sua independência. São notórios, de há uns anos para cá, os processos contra "intocáveis". Daí que comece a aparecer à luz do dia a vontade dos interessados em suprimi-la. E não estão desacompanhados. Atente-se nas entrevistas de Anna Canepa, procuradora Antimáfia de Itália e de Jessica de Grazia, ex-procuradora nos EUA, para ver que também nestes países a apetência do poder executivo pela governamentalização do MP é uma constante, como meio caminho para a eliminação da independência dos juízes.

quinta-feira, maio 27, 2010

Luísa Amaro hoje à noite


Aviso à navegação: acabo de saber que hoje á noite a Luísa Amaro vai ao programa do Júlio Isidro Quarto Crescente, por volta da meia noite na RTP.

A Luísa é uma guitarrista de mão cheia, toca viola clássica e guitarra portuguesa na senda da escola de Carlos Paredes.

A não perder, por quem gosta de guitarradas em especial de dedilhados.

terça-feira, maio 25, 2010

Vai recomeçar a paranóia do futebol


Não basta o Estado gastar milhões do meu dinheiro para apoiar o futebol.
Não bastam os não sei quantos estádios feitos para o Euro-não-sei-quê que ainda hoje estamos a pagar e não serviram para quase nada – e continuam a não servir para quase nada - onde se fazem meia dúzia de jogos de futebol por ano.
Não bastam os atrasados mentais que assolam a TV e mesmo alguma blogosfera comentando futeboladas várias que não interessam nem ao menino Jesus.
Vai começar o Mundial e eu vou ter que gramar toneladas de futebol por todos os lados.
Não vale a pena emigrar – nos outros países, igualmente recheados de atrasados mentais iguais ou piores que os nossos, o fenómeno é igual.
Odeio o futebol.
Abomino o futebol.
Enjoo com o futebol.
Rais parta, se pudesse liquidava o futebol – de preferência com violência e requintes de malvadez - parafraseando Kropotkine, o mundo só terá paz no dia em que o último adepto de futebol for enforcado nas tripas do último comentador televisivo de futebol.

segunda-feira, maio 24, 2010

Taxa de esforço

Não me importava nada que toda a gente, ricos, pobres e remediados, fosse taxada forte e feio para que as soluções da crise económica fossem possíveis, credíveis e realistas.
Mas acho que esse sacrifício deve abranger a todos por igual – e quando digo igual, refiro-me a igual mesmo.
Se um imposto de, por hipótese, 100 € anuais representa um esforço para um pobre ou para um remediado, esse esforço é calculável e quantificável, digamos, por facilidade de exposição, que para um cidadão que ganha por mês 1.000 €, esse esforço representa 10% do seu rendimento mensal.
Bastava aplicar a todos a taxa de esforço apurada: a mesma taxa de esforço aplicada a quem tem um rendimento de 5.000 € renderia ao Estado 500 €; se o cidadão em causa ganhasse 20.000 €/mês pagaria 2.000 €, e por aí fora.
Este raciocínio é simplista, mas podia ser sofisticado a ponto de se tornar realista, com factores de ponderação relacionados com o custo de vida, o que à partida iria agravar muitíssimo o imposto a pagar pelos mais ricos, pois a taxa de esforço desce acentuadamente à medida que o rendimento sobre.
Os 10% de imposto do pobre normalmente irão traduzir-se numa taxa de esforço bastante superior a 20%, 30% ou 40% de um imposto sobre os rendimentos dos ricos.
E aí sim, seria alcançada alguma justiça fiscal generalizada.
Resolvia-se o problema financeiro rapidamente, cortava-se a direito.
O problema é que não conheço nenhum político que defenda isto.
Falta alguém que diga preto no branco “os ricos que paguem a crise” !
Assim, os pobres e remediados continuam sempre a pagar a factura máxima, aquilo que para eles é um decréscimo de rendimento dramático não passa de uma contrariedade passageira para os que vivem com mais conforto económico.

quinta-feira, maio 20, 2010

Roberta Medina



Ora batatas !


Uma mulher tão bonita, um rosto tão agradável, a cara do Rock in Rio sofreu um acidente e não estará no concerto.


Bolas, a melhor coisinha que estava no Rock in Rio não vai lá estar.


Protesto.


Por acaso não comprei bilhete (fujo dessas concentrações de gente como o diabo da cruz), mas se tivess comprado, exigia o carcanhol de volta.

Roberta, desejo-lhe as melhoras e hic et nunc deixo-lhe um ramo de rosas virtuais.

domingo, maio 16, 2010

Feira do Livro de Lisboa

Hoje fui à Feira do Livro.
Sempre com a mão na carteira, numa atitude cautelosa de consumidor avisado, lá calcorreei metade da feira (a outra metade fica para outra investida, não dá para ver tudo numa tarde).
Para além dos inevitáveis livros técnicos (mas calma, não comprei nenhum manual de inglês técnico – acabei o meu curso numa Quinta-Feira e jamais enviei faxes para professores...), lá me deixei tentar por alguns títulos de romance histórico e obras correlativas.
À medida que for lendo esses livros tenciono deixar aqui umas curtas impressões sobre cada um deles.
Sobre a tarde passada na feira: impressionou-me ver cada vez menos gente conhecida.
Dantes quando ia à feira aquilo era um corrupio de caras conhecidas, por vezes de caras demasiadamente conhecidas e nem sempre simpáticas, mas o cômputo geral de encontros era invariavelmente positivo.
Por agora não tiro conclusões sobre esse facto, limito-me a registá-lo.
Como é da praxe, descobri livros a preços muito razoáveis e desencantei até um livro do Ross Leckie que procurava há uns anos (“Cartago”, terceiro livro da trilogia dos Barcas).
Acho que vou voltar ao local do “crime” em dia de semana, para não apanhar aquela enxurrada de gente.
Vale a pena passear por ali sem pressas, sem muita gente e com uns euros para gastar.

quinta-feira, maio 13, 2010

A estupidez do anti-clericalismo

Acho que foi um cineasta francês que disse que a estupidez era muito mais interessante que a inteligência, pois a estupidez não tem limites e a inteligência é finita.
Apesar de conhecer a falta de limites da estupidez, a malta realmente estúpida continua a fazer-me urticária.
Bento XVI veio a Portugal.
Não sou católico, não vou à missa, só frequento igrejas em dias de casamentos de amigos ou de baptizados dos filhos.
Aborrece-me um bocado a “overdose” de programas sobre o Papa e toda a parafernália que o acompanha – tal como me aborrece o excesso de programas sobre futebol ou o excesso de “talk shows” que a nossa TV actualmente apresenta - embora compreenda que vivo num país maioritariamente católico e este é um dos preços a pagar por isso.
Mas atacar o Papa porque é Papa e apoucar os católicos porque se entusiasmam com a vinda do Papa a Portugal é tão barbaramente imbecil, tão infinitamente idiota, que realmente me lembro logo da noção da infinitude da estupidez.
Se no séc. XIX e até meados do séc. XX se justificava o anti-clericalismo – porque a “padralhada” realmente estava maioritariamente ligada ao piorzinho que as sociedades de então tinham – actualmente esse anti-clericalismo já não faz qualquer sentido.
Quando não há bandeiras próprias, arranja-se maneira de criar movimento em reacção contra isto ou contra aquilo: é fácil ser anti alguma coisa mas o difícil é ser pró qualquer coisa e agir consequentemente em prol dessa coisa.
Sinto um profundo desprezo por gente que confunde estas realidades comezinhas, confundindo cultura com religião e opinião com agressão – são, na realidade, infinitamente estúpidos.
Deus me perdoe..., digo eu, que graças a Deus sou ateu.

terça-feira, maio 04, 2010

Sistema político apodrecido

No caso Inês de Medeiros que recentemente teve um desfecho, a Deputada foi muito criticada, e bem, pela gula que demonstrou em receber umas massas do erário público.
Mas para além das críticas a Inês de Medeiros, há uma outra que ainda não vi e que é de crucial importância: temos um sistema político que abre a porta a todos os desmandos e a todas as batotas.
E esse sistema é alimentado e surdamente defendido por todos, da esquerda à direita.
Como é que se compreende que um cidadão nascido e residente em Lisboa seja Deputado por Braga ou por Faro ?
Como é que se admite que esse cidadão depois receba ajudas de custo para ir visitar regularmente o local pelo qual foi eleito e que mal conhece ?
Isto abarca todo o sistema, desde o Parlamento às autarquias locais.
Em todas as eleições podemos detectar essa dança de cargos – Fulano não gosta de Fulana e por isso não aceita ser Deputado pelo mesmo círculo eleitoral da Fulana; por isso, como Fulano tem que ser Deputado, troca-se o círculo eleitoral e lá vai o dito Fulano recambiado para um círculo a 300 Km de distância.
Beltrano não aceita ser segunda figura no círculo X – por isso é deslocado para o círculo Y e aí é colocado no primeiro lugar.
E o povo, em nome do qual todas os Fulanos e todas as Fulanas enchem a boca, assiste impávido a esta pouca vergonha, muitas vezes sem sequer se aperceber da miséria moral e política que está na base dessa dança eleitoral.
Há mais de 20 anos que os Fulanos e as Fulanas falam na “urgência” de mudar o sistema político – entretanto vão passando os anos que lhes permitem ter reformas fabulosas – outro escândalo que parece passar ao lado dos comentadores, eles próprios também comprometidos em jogos de influência que num país decente levariam dezenas de Fulanos e de Fulanas para o banco dos réus e provavelmente para a cadeia.
Que raio de país ! Que tristeza de sistema !
Parafraseando Matilde Rosa Araújo, “mas quem é que me mandou nascer nesta terra” ?

segunda-feira, maio 03, 2010

Água mole em pedra dura...

Inês de Medeiros prescinde da comparticipação de despesas de deslocação.
(...) "Tendo tomado conhecimento do teor do despacho exarado por V. Exa. vejo-me, contudo, obrigada a contrariar a decisão dele constante, por razões que certamente entenderá. Não quero contribuir para que aqueles que querem transformar a política num permanente circo demagógico se sirvam da minha pessoa para tal efeito", refere a deputada do PS.
Segundo Inês de Medeiros, ao tomar conhecimento que o CDS, "numa extraordinária inversão de posição que outro objectivo não tem que o de relançar a polémica e que, estranhamente, pretende justificar recorrendo a uma invocação abusiva" do despacho assinado por Jaime Gama, considerou que deveria "pôr um fim a tão triste episódio"(...)
Comentário: pela missiva que enviou ao presidente da AR, compreende-se que que a sra. Deputada não teve um serôdio ataque de bom senso.
O seu súbito desprendimento parece claramente extemporâneo - ao contrário do que inculcam as suas palavras, se quisesse marcar uma posição eticamente inatacável, há meses que deveria ter renunciado a tão inadmissível mordomia.
Assim, ficamos com a sensação de que "atirou o barro à parede" e quando ele estava prestes a cair, resolveu tirá-lo de lá, para não ficar mal na fotografia.

domingo, maio 02, 2010

Uma frase que vale por mil imagens


Pedro Nunes, Bastonário da Ordem dos Médicos, quando soube que os políticos estavam a tentar enfiar a classe médica num pacote de leis anti-corrupção, comentou qualquer coisa como isto (cito de memória): “não compreendo a que propósito a classe médica é envolvida nesta guerra da corrupção, pois os médicos não fazem contratos públicos de milhões, não compram submarinos e não negoceiam com sucatas”.
Lapidar.

quinta-feira, abril 29, 2010

O Mapa Desaparecido



É o novo livro de Heather Terrel, misto de romance histórico e de acção, que vem na esteira da já conhecida e apreciada Crisálida; em português o livro aparece com o título de O Mapa Desaparecido.
Impressionou-me a capacidade de pormenor na descrição de locais portugueses - Tomar, auto-estrada, estradas secundárias, Lisboa - que a autora exibe.
A história parte de uma premissa bastante polémica, a de uma expedição marítima chinesa ter dado a volta ao mundo e ter desenhado um mapa-mundi de uma exactidão impressionante mais de 50 anos antes de Bartolomeu Dias ter dobrado o Cabo e uns 40 anos antes de Vasco da Gama ter concretizado o caminho marítimo para a Índia.
Na verdade, sabemos por outras obras que os mapas marítimos eram altamente valiosos e raros na época do Infante D. Henrique, que na escola de Sagres conseguiu reunir os mapas mais evoluídos da época.
Uma história leve e engraçada, que se lê muito bem.

sábado, abril 24, 2010

24 de Abril

O mês de Abril não tem culpa.
O dia 24 ainda menos.
Mas o conceito de "24 de Abril" continua a ser sinistro - e por isso a data é, para mim, algo aziaga.
Caso para dizer: nunca mais é Domingo.

terça-feira, abril 13, 2010

O Porto das Tormentas


Um livro de Florencia Bonelli, O Porto das Tormentas, deixa-me uma sensação contraditória.
Por um lado é um romance histórico que retrata uma época muito rica da actual Argentina, vendo-se claramente que a autora fez os seus trabalhos de casa e estudou a fundo a História do séc. 19 - para um português que goste de História, é interessante a descrição que Florencia Bonelli faz das relações entre Portugal, Brasil, Espanha, Inglaterra e França (estamos em vésperas das invasões napoleónicas e da mudança da Corte portuguesa para o Brasil).
Por outro lado, do ponto de vista romântico, o livro deixa um bocadito a desejar, parece um pouco primário e muito pouco sofisticado no que toca à apreciação dos sentimentos e das paixões humanas.
Mas admito que se calhar sou eu que sou complicado e a Autora é mais directa e mais rapidamente vai direita ao assunto.
Restam as curiosidades.
Sabem como se chamava Buenos Aires em 1806 ?
Cidade da Santísima Trinidad e Puerto de Santa Maria del Buen Ayre !
Por isso os seus habitantes se chamavam de "porteños".

Golpe de Estado

Este blog sofreu um golpe de estado, mais coisa, menos coisa.
Porém, não aconteceu nada de mais: fui eu que me fartei da vertente política do blog e resolvi liquidá-la, na sua maior parte.
Subsistem a vertente musical, a literatura, a gastronomia e em última análise, a cultura, que são ângulos que me dizem muito mais do que a política.
Talvez coloque aqui um texto de reflexão política, uma ou outra vez, mas isso será raro e muito esporádico, pois na verdade a política parece-me em geral cada vez menos interessante.
Ao mesmo tempo reparo que tenho falado pouquíssimo de música e de literatura, o que me aborrece, pois essas são duas das coisas mais interessantes que se possa imaginar.
Fica o depoimento – e as boas intenções.

quarta-feira, março 31, 2010

Folar de Páscoa

Folar transmontano de carne - Folar de Páscoa
(também conhecido por Bola ou Bola de Páscoa)

INGREDIENTES

- fermento de padeiro - uns 50 gr.
- farinha - 1,5 Kg.
- ovos - 12 + 6 que sejam bons
- azeite - 1 chávena normal cheia (o azeite tem que ser Extra)
- margarina - 400 gr.
- sal refinado q.b. (1 colher das de chá)
- presunto - 600 gr.
- bacon - 400 gr.
- chouriço - 400 gr.
- açúcar - 2 colheres das de chá

MODUS FACIENDI

- dissolver o fermento em pouco menos de 1/2 copo de leite bem quente;
- pôr as duas colheres de açúcar;
- tapar bem, com 1 pano de cozinha, e deixar levedar 1 h. ou 1,5 h.;
- derreter a margarina;
- pôr e bater numa tigela os primeiros 12 ovos;
- acrescentar o azeite, margarina já derretida e o fermento já levedado (a margarina de pois do azeite e aos poucos, para não cozer os ovos);
- pôr o sal;
- começar a pôr a farinha a pouco e pouco, mexendo sempre à mão (eu aqui utilizo a batedeira mas o final da operação com a massa implica sempre acabar de batê-la à mão);
- tem que se bater com a massa na mesa com força;
- ir fazendo sempre assim, até ficar uma massa mole e a despegar-se da mão;
- depois de bem batida, tapa-se bem, com um pano de cozinha embrulhado num cobertor e deixa-se ficar a levedar mais um bocado (1 ou 2 horas, consoante fôr crescendo);
- cortar bem as carnes (fatias finas);
- untar os tabuleiros com margarina;
- estender a massa nos tabuleiros numa primeira camada;
- pôr as carnes já cortadas;
- pôr a segunda camada de massa;
- põe-se por cima ovo batido (os últimos 6 ovos);
- deixa-se crescer mais um pouco;
- vão ao forno os dois tabuleiros, um de cada vez;
- põe-se no forno um fogo brando e depois de o folar crescer bem, pode-se levantar um pouco o lume, mas nunca muito, senão queima por fora e fica cru por dentro.

Notas:
Receita de Abril de 1996, com achegas de Abril de 1998;
Esta receita está testada e funciona, já a usei e o resultado é excelente - o segredo está em deixar a levedura e a massa fermentarem devidamente.
Obrigado, Mãe, mais uma vez.

terça-feira, março 30, 2010

Cromos "chincaneiros"

À atenção dos cromos que confundem “chicana” com “gincana” e inventaram a palavra “chincana”.
Estão quase a re-inventar a “chicane” - sequência de curvas em formato de "S" utilizada para diminuir a velocidade dos veículos em automobilismo, localizada geralmente após uma longa recta.
Cuidado com as curvas, quando não, estampam-se na primeira oportunidade.
Chincaneiros...

quarta-feira, março 24, 2010

Queixa das Almas Jovens Censuradas



Queixa das Almas Jovens Censuradas
Lembrado em boa hora pelo Jama aqui.

QUEIXA DAS ALMAS JOVENS CENSURADAS
Natália Correia in “Dimensão Encontrada”

Dão-nos um lírio e um canivete
E uma alma para ir à escola
E um letreiro que promete
Raízes, hastes e corola.

Dão-nos um mapa imaginário
Que tem a forma duma cidade
Mais um relógio e um calendário
Onde não vem a nossa idade.

Dão-nos a honra de manequim
Para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos o prémio de ser assim
Sem pecado e sem inocência.

Dão-nos um barco e um chapéu
Para tirarmos o retrato.
Dão-nos bilhetes para o céu
Levado à cena num teatro.

Penteiam-nos os crânios ermos
Com as cabeleiras dos avós
Para jamais nos parecermos
Connosco quando estamos sós.

Dão-nos um bolo que é a história
Da nossa história sem enredo
E não nos soa na memória
Outra palavra para o medo.

Temos fantasmas tão educados
Que adormecemos no seu ombro
Sonos vazios, despovoados
De personagens do assombro.

Dão-nos a capa do evangelho
E um pacote de tabaco.
Dão-nos um pente e um espelho
Para pentearmos um macaco.

Dão-nos um cravo preso à cabeça
E uma cabeça presa à cintura
Para que o corpo não pareça
A forma da alma que o procura.

Dão-nos um esquife feito de ferro
Com embutidos de diamante
Para organizar já o enterro
Do nosso corpo mais adiante.

Dão-nos um nome e um jornal,
Um avião e um violino.
Mas não nos dão o animal
Que espeta os cornos no destino.

Dão-nos marujos de papelão
Com carimbo no passaporte.
Por isso a nossa dimensão
Não é a vida. Nem é a morte.

domingo, março 07, 2010

Obrigado, meu capitão


Costa Martins já era coronel quando ontem morreu num acidente de aviação, mas para mim e para muitos outros que conheceram a sua acção logo a seguir ao 25 de Abril, será sempre o capitão Costa Martins.

Não sei as circunstâncias em que tal aconteceu, é cedo para quaisquer conclusões.
Mas não é cedo para enaltecer o papel deste militar no 25 de Abril, hoje olhado “de lado” por muitos democratas de fresca data, daqueles que nem sonham o que foi fazer oposição à ditadura.
Obrigado, capitão Costa Martins, o senhor ficará para sempre na memória dos anti-fascistas de sempre, com um lugar reservado nos nossos afectos.

segunda-feira, março 01, 2010

Hino à mentira - Estado do Sítio

No meio deste imenso pântano não há uma alma caridosa que diga aos indígenas que esta miséria veio mesmo para ficar.
O espectáculo continua muito animado, embora os actores sejam de uma maneira geral inqualificáveis. O senhor presidente relativo do Conselho, o chefe, já nem se importa que o chamem, a torto e a direito, de mentiroso. Já é uma banalidade e não passa pela cabeça de ninguém, por exemplo, dizer que o senhor falta à verdade.
O senhor procurador-geral da República vai pelo mesmo caminho. Poucos acreditam no que diz ou escreve, a confusão aumenta todos os dias e o conselheiro que o Governo foi buscar ao Supremo Tribunal de Justiça já concorre com o senhor presidente relativo do Conselho, o chefe, neste inenarrável concurso de mentiras que ocupou o horário nobre das televisões, as primeiras páginas dos jornais e a abertura dos noticiários das telefonias. Neste cenário cada vez mais pantanoso, os partidos discutem animadamente o Orçamento do Estado para 2010, um documento em que pouca gente acredita, e esperam ansiosamente pelo Programa de Estabilidade e Crescimento que o Governo anda a preparar há imenso tempo no segredo dos gabinetes.
Toda a gente sabe que o famoso PEC irá ser entregue em Bruxelas com pompa e circunstância, apoiado fervorosamente não só pelo partido do chefe como pela oposição de direita, CDS e PSD, independentemente de quem ganhar a corrida para a liderança dos sociais-democratas. A Pátria, dizem todos em uníssono, assim o exige. Mas os indígenas já desconfiam da borrasca que os vai apanhar em cheio se não fugirem rapidamente deste sítio pobre, manhoso, hipócrita, corrupto e, obviamente, cada vez mais mal frequentado.
Os salários vão baixar, as reformas ficarão ainda mais miseráveis, o desemprego não vai parar de crescer, a economia continuará a rastejar e o endividamento das empresas, das famílias e do Estado atingirá níveis que nem os mais pessimistas conseguiram adivinhar. No meio desta imensa desgraça, com muitos consensos e discursos patrióticos cheios de mentiras, não há uma alma caridosa que explique aos indígenas que esta miséria, que nem chega a ser franciscana, veio mesmo para ficar. No meio deste imenso pântano económico, social e político não há uma alma caridosa que explique aos indígenas algumas coisas simples sobre as suas vidas nos anos que aí vêm. Vão ficar mais pobres e nem de TGV conseguirão atingir os níveis de vida europeus. Antes eram pobretes mas alegretes. No futuro serão ainda mais pobretes e só os parvos continuarão alegretes.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

O cavalete da Silent Guitar







Esta vai para os meus leitores que repetidamente têm procurado por temas de guitarra.
O cavalete (a quem muitos chamam “pestana de cima”) da Silent Guitar vem de origem demasiado alto para o meu gosto; é perfeitamente possível colocar um cavalete mais baixo, mantendo a viola a qualidade do som.
Para isso sugiro o seguinte:
Compre sempre 2 cavaletes de osso para cada experiência que quiser fazer (em Lisboa são baratos, creio que no Brasil também).
Na figura acima está um cavalete de osso – os óculos estão lá apenas para dar uma ideia do tamanho da peça.
Coloque um dos cavaletes num torno e com uma lima de boa qualidade (ou, para os mais tecnológicos, com uma broca ligada a uma máquina eléctrica tipo Black & Decker) desbaste uma das partes do cavalete até lhe parecer aceitável – é essencial desbastar a peça em linha recta sem altos e baixos.
Coloque a peça na viola, afine-a com cordas em bom estado – se o som mantiver a qualidade, está tudo bem; pode continuar a descer a pestana desbastando um pouco mais, aos poucos.
É um pouco entediante, mas vai ter que experimentar na viola afinada o cavalete por cada desbaste que lhe fizer.
Quanto mais baixo estiver o cavalete, melhor – desde que, evidentemente o som tenha qualidade.
Há-de haver um desbaste em que a coisa foi demais – e o som começa a dar o que nós chamamos de “lata”.
Bom, aí, sursum corda, meu amigo: estragou a primeira pestana ou cavalete, mas agora sabe exactamente até onde é que pode desbastar o segundo cavalete.
Não esqueça: o desbaste tem que ser muito uniforme, em linha recta – se tiver altos e baixos, isso sentir-se-á muito no som amplificado.
Proceda a esse desbaste com firmeza, alegria e... cautela: já está !
Transformou a sua Silent num instrumento topo da gama que dá gosto tocar, com uma escala super-amigável, que lhe proporcionará momentos de alta qualidade musical.








domingo, janeiro 24, 2010

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Prolixidade e falta de qualidade das leis

Li algures que o Código Civil de 1966 depois de longamente debatido e de ter passado já várias redacções ministeriais, foi ainda submetido a acções de revisão estilística e afinação de expressões.
Um Código é um edifício muito complexo em que as partes têm de se relacionar harmonicamente com o todo, em que as soluções encaixam naturalmente numa determinada lógica que repassa todo o diploma, dotando-o de uma lógica interna bem determinada.
Um Código está para uma qualquer lei avulsa como um palacete em zona nobre da cidade está para um apartamento de 3 assoalhadas num subúrbio dessa cidade.
Agora imaginem os senhores que de repente o legislador começa a fabricar à bruta paredes de betão no meio dos palacetes legislativos que subsistem, fechando salões e transformando jardins de inverno em espaços de secretariado.
São intervenções feitas com bastante falta de cuidado – basta olhar para as alterações feitas ao Código Civil e ao Código de Processo Civil nos últimos 5 anos, que são profundas, numerosas e contraditórias.
O sistema perde coerência e as soluções passam a ser mais que muitas, uma vez que as inexactidões e ambiguidades das leis passam a admitir as mais diversas e desencontradas interpretações, aumentando exponencialmente a insegurança jurídica.
Quanto mais obscura, contraditória e fragmentada for a lei, mais interpretações poderá ter, maior a diversidade e o leque de possibilidades que a interpretação legal permite.
É por isso que prolixidade das leis aliada à sua recorrente falta de qualidade pode provocar resultados devastadores ao nível da confiança do cidadão no sistema jurídico.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Tejo que Levas as Águas


Olá Blimunda, olá amigos "adrianistas".
Prefiro responder à sua indagação aqui, para não abusar da hospitalidade da Saphou.
É verdade que ando a preparar uma versão puramente instrumental do “Tejo que Levas as Águas” do nosso querido Adriano.
Oscilo entre dois extremos – construir uma versão em gótico flamejante, que envolveria pelo menos 3 violas (uma viola clássica de cordas de nylon, uma viola eléctrica e uma viola de 12 cordas) e no outro extremo tenho uma versão minimalista com dois trabalhos de viola, ambos feitos numa viola clássica ou numa acústica de cordas de aço.
Estas opções estão dependentes de duas coisas: da sua própria aptidão para agradar ao guitarrista e das possibilidades que o estúdio pode abrir no tratamento do som.
Isto para mim é mais complicado do que o normal: para já, há toda uma carga emocional que a música do Adriano implica, e por outro lado há o trabalho de estúdio a fazer e o trabalho de casa entre as sessões do estúdio.
No fim, last but not the least, há que respeitar o equilíbrio da família, não lhes tocando 500 mil vezes num dia a mesma melodia – por vezes sinto uma enorme necessidade de estar sozinho a testar as minhas músicas e nessas alturas dou graças aos céus por ter uma segunda casa a 170 Km de Lisboa com todas as condições necessárias para essas aventuras.
Mas nem sempre as disponibilidades se conjugam no sentido de essas sessões musicais se realizarem.
A vida de músico tem muito que se lhe diga.

Arquivo do blogue

eXTReMe Tracker