Blog que trata dos livros, da leitura, da música e da reflexão política e social.

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Um estúdio de banzar

À hora marcada lá estava.

O meu amigo chegou segundos depois e entrámos no estúdio.
Nunca tinha visto uma coisa assim !
O estúdio é composto por três salas de gravação, e mais uma sala só para “maquettes”, para além das outras de que já falarei.
A maior das salas de gravação tem capacidade aí para uns 10 a 15 músicos tocarem ao mesmo tempo sem se acotovelarem – é enorme.
O recinto completo do estúdio é uma imensa caixa de surpresas.
A seguir à terceira sala de gravação, dei com uma série de salas, algumas bem grandes, que são salas de lazer para os músicos descansarem.
Nessas salas estavam espalhadas violas por todo o lado – violas de todos os tipos para todos os gostos – acústicas, eléctricas, electro-acústicas, de cordas de nylon e de cordas de aço – Gibsons, Guilds, Fenders Tele e Stratocaster e diversíssimas outras marcas dos mais variados modelos.
Ao todo seriam aí umas 30 a 40 violas, talvez mais, não me dei ao trabalho de as contar.
Senti que podia mergulhar naquele estúdio e “nadar” durante meses seguidos sem vir à tona (ou melhor, como o outro da anedota que caiu num barril de cerveja – só vinha à tona para pedir tremoços).
Um sonho feito realidade.
A mesa de mistura da sala principal era maior que uma mesa de pingue-pongue e, claro, tinha os registos mais esquisitos e mais improváveis que é possível imaginar.
Para aquilo funcionar deve ser necessária uma equipa completa de engenheiros e técnicos de som – nem perguntei, para não fazer figura de ignorante.
Um dia perco a timidez e pergunto ao meu amigo o que é que será preciso para ir fazer uma sessão de gravação naquelas super-hiper-instalações.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Três violas


A da esquerda é uma Gibson SG Special "bacalhau" que mandei restaurar há uns tempos.
A do meio é uma Ibañez das antigas, tipo folk, caixa grande e cordas de aço.
A da direita é uma Ovation clássica de cordas de nylon.
Qualquer delas está com um som fantástico.
Gravar em estúdio com estas violas fazendo trabalhos sobrepostos dá um resultado excelente.

segunda-feira, novembro 05, 2007

A Noite Passada


A Noite Passada - clique na imagem para ouvir
A noite passada não acordei com o teu beijo
Estavas lá para o Douro, refazendo raízes
Aproveitei para tocar viola
Para ti, para mim, para o pitorro
Para o universo
E saiu-me esta do Sérgio Godinho

domingo, setembro 30, 2007

sexta-feira, setembro 07, 2007

segunda-feira, agosto 20, 2007

1 mês sem blog

Há quase 1 mês que não blogo.
Apesar de ter um portátil na minha cabana de férias, raramente vou à blogosfera e nunca venho aqui ao meu blog.
Talvez isto seja premonitório de que há coisas mais importantes a fazer.

sábado, julho 21, 2007

A Sombra do Vento


A Sombra do Vento
É um romance muito bom que coloca Carlos Ruiz Zafón como uma das grandes esperanças das letras castelhanas e que vai merecer um post mais desenvolvido dentro de pouco tempo.
Para já digo-vos que o autor descreve a Barcelona do pós guerra civil espanhola com grande nitidez, numa análise profunda, inteligente e séria da sociedade espanhola saída da guerra civil - a ascensão do franquismo num grande País; um livro profundo e denso, daqueles que gostamos logo às primeiras e logo aí temos a certeza de que vamos reler aquele livro mais de uma vez.
Daqueles em que ainda vamos a meio e já percebemos que é um grande livro.

quarta-feira, julho 04, 2007

Profissão honesta


Há dias encontrei um amigo que, tal como eu, tem uma profissão institucionalizada e gosta de tocar a sua guitarrada.

Confessou-me que estava farto de ser "quadro" e que gostava de ter uma profissão honesta, tipo guitarrista num bar de p...

Ele anda a ler um livro de um norte-americano qualquer que fala muito de um piano player in a whorehouse.

Song For the Asking

O visual do som - esta é a maquette da canção que está a ouvir


Tareca


Comprei uma maquineta fotográfica nova, super digital, com uns impressionantes 8,5 MegaPixels de definição.
A minha fiel Tareca faz-me o favor de me servir de modelo para a perfeição fotográfica.
O resultado é este (para ver a fotografia original, clique na imagem).
É uma menina com bigodes, mas é linda que se farta, a minha Tarequinha.

terça-feira, julho 03, 2007

domingo, julho 01, 2007

Dona






E se um tipo, em dia de inspiração, se apaixonar por uma "Dona" ?
O resultado podia ser este.

sábado, junho 30, 2007

Não queiras saber de mim

Não queiras saber de mim
Rui Veloso/Carlos Tê
(versão Cem Anos)

Não queiras saber de mim
Esta noite não estou cá
Quando a tristeza bate
Pior do que eu não há
Fico fora de combate
Como se chegasse ao fim
Fico abaixo do tapete
Afundado no serrim

Não queiras saber de mim
Porque eu estou que não me entendo
Dança tu que eu fico assim
Hoje não me recomendo

Mas tu pões esse vestido
E voas até ao topo
E fumas do meu cigarro
E bebes do meu copo
Mas nem isso faz sentido
Só agrava o meu estado
Quanto mais brilha a tua luz
Mais eu fico apagado

Dança tu que eu fico assim
Porque eu estou que não me entendo
Não queiras saber de mim
Hoje não me recomendo

Amanhã eu sei já passa
Mas agora estou assim
Hoje perdi toda a graça
Não queiras saber de mim

sábado, junho 23, 2007

Quando o romantismo ataca



Há uns que ficam em pânico, outros que ficam em êxtase.
Este post é dedicado a todas aquelas e aqueles que por alguma razão hoje se sentem sozinhos.

Recoste-se - e oiça um romântico inveterado numa de Elvis Presley.

domingo, junho 03, 2007

Great music for a great time

Partir !
É o verbo mais fácil e ao mesmo tempo mais difícil de conjugar, dependendo de onde e para onde se parte.

Hoje estou de partida, na conjugação mais fácil – parto para mergulhar na música durante 3 ou 4 dias com companheiros guitarristas que comigo vão estabelecer uma espécie de comuna musical durante esse tempo.

Violas são 8, amplificadores são 4, micros são 2, há muitas harmónicas, mesa de mistura, colunas, pedais de efeitos.

And fingers – thank God for my fingers, digo eu, como dizia o Paul Simon, embora a ele Deus tenha feito um favor maior…
Jam sessions, melodias originais, arranjos malucos de músicas diversas, tudo está em aberto - com 300 watts à disposição e um laboratório de som dentro de casa, tudo é possível.
Até jazz...

sábado, maio 12, 2007

Contos Estelares – XIX

Finalmente um planeta habitável... e habitado

A Poseidon foi envolvida num raio tractor espacial e transportada para a superfície do planeta, onde poisou suavemente; no decurso da operação os operadores de Terminus tranquilizaram os astronautas, enviando-lhes todos os sinais de que eram pessoas de bem e não queriam fazer mal a ninguém – muito menos àqueles astronautas em concreto, como explicaram.

“Não sabia quem vocês eram, mas sabíamos que estavam para vir e que serão importantes no desenvolvimento do projecto Fundação”, disse Greg, um dos responsáveis do planeta Terminus, perante o pasmo dos astronautas.

A explicação não era no fundo muito complicada: a ciência inventada por Hari Seldom, a psico-história, permitia prever com alguma margem de exactidão o futuro; Hari Seldom estava morto há mais de 200 anos, mas os seus vídeos continuavam sempre a aparecer no auditório da universidade de Terminus, com regularidade.

Uma semana antes de cada aparição um aviso automático começava a alertar os principais responsáveis da Fundação, por forma a que no dia e hora da aparição eles estivesse reunidos no auditório, onde sacramentalmente à hora marcada aparecia o écran com o rosto de Seldom, que começava a falar e a explicar o que se estava a passar.

Os homens da Fundação resolveram mostrar o último vídeo de Seldom aos astronautas, para que estes melhor compreendessem.

O écran acendeu-se e apareceu o rosto de um homem na fase final da vida, com ar cansado mas com um iniludível brilho de inteligência.

“Sou Hari Seldom”, disse calmamente a figura.

“Quando este vídeo for visionado já eu terei morrido há cerca de 200 anos; sei que estou a falar para habitantes do planeta Terminus e responsáveis do projecto Fundação.

Como já expliquei anteriormente, a psico-história consegue entrever as grandes linhas do futuro, desde que usada de forma racional e científica.

Trantor, o nosso planeta de origem, está neste momento em plena barbárie; há muito que se esqueceram que Terminus existe e ainda bem, pois assim jamais terão a tentação de vir aqui buscar os conhecimentos que nós arquivamos sistematicamente há muito e que neste momento em toda a Galáxia conhecida só nós, em Terminus, possuímos – todos os outros mundos habitados caíram na barbárie e são dominados por senhores da guerra à moda antiga, com a diferença de que actualmente dispõem de armas nucleares em vez de espadas e lanças.

Aproxima-se uma crise, daquelas a que há muito são conhecidas por “crises seldom”.

Como se lembrarão, na última crise foram obrigados a usar as armas do super-conhecimento tecnológico para travar as tentativas de invasão de vários senhores da guerra que cobiçavam Terminus; como vos expliquei, bastou enviar um sinal do vosso “phaser” para a armada mais próxima, que ficou imediatamente sem energia – o phaser absorve completamente a energia dos locais onde se projecta, “chupando-a” de todas as fontes, com as vantagens de, por um lado, paralisar qualquer adversário, e por outro, de arrecadar mais algumas quilotoneladas de energia para uso pacífico no planeta.

Segundo as últimas equações que resolvi, há toda a probabilidade de um mundo muito distante, habitado por humanos, sofrer a implosão do seu sol; muitas naves espaciais serão enviadas por esses humanos, procurando mundos habitáveis; há 98% de probabilidades de uma dessas naves entrar na área próxima de Terminus e ser imediatamente detectada; os humanos que viajam nessa nave têm uma poderosa tecnologia que utiliza um motor especial que atinge várias vezes a velocidade da luz; Terminus precisa dessa tecnologia e precisa urgentemente de actualizar as suas bases de dados relativas ao avanço da ciência humana desse longínquo planeta; procurem cativar esses astronautas e convidem-nos a ficar a viver em Terminus; insistam que podem vir todos os humanos que deixaram para trás; pelas minhas equações por esta altura ainda Terminus não está habitado a mais de 10% da sua capacidade; mesmo que sejam alguns milhões, esses humanos terão todos lugar em Terminus –penso em qualquer caso que não serão mais de 100 ou 200 mil, porque tudo leva a crer que saíram do seu planeta natal à pressa para fugir da implosão solar.

Tenham em atenção que muito provavelmente esses humanos vêm de uma sociedade marcadamente matriarcal – as mulheres estão habituadas a mandar só porque são mulheres e são especialmente perigosas quando se aliam entre si e adoptam uma causa comum; pensam que o facto de usarem “soutien” é uma dádiva da natureza que as faz insubstituíveis nas tarefas de comando e definição de estratégias.

Tenham cuidado com elas – são perigosas, mas oferecem muitas compensações, que escuso de vos estar a detalhar”.

Hari Seldom calou-se; o écran foi escurecendo até a figura desaparecer e as luzes do auditório acenderam-se.

Os homens e mulheres da Fundação rodearam os astronautas quase carinhosamente, pois sabiam da sua história recente antes mesmo de eles a contarem.

“Estejam descansados, poderão ficar para sempre em Terminus”, disseram-lhes.

(continua)

quinta-feira, maio 10, 2007

Por estas e por outras


É por estas e por outras que convém ter um apurado sentido de respeito pela autoridade policial.


Haja Deus !


Clique na imagem para compreender melhor a ideia.

segunda-feira, maio 07, 2007

Eleições presidenciais francesas

Ganhou Sarkozy.
Se tivesse ganho Segolène, estou convencido que a diferença não seria grande.
O que é preciso é que todos façam o favor de ser felizes...

quarta-feira, maio 02, 2007

Sarah Mclachlan

Esta senhora é incontornável.

Canta como uma deusa, toca lindamente piano, é bonita, tem um
feeling dos demónios - é só qualidades.

Apanhei no You Tube uma versão do
I Will Remember You que vale a pena ouvir.

Se quiser ter uma ideia geral dos trabalhos desta diva, clique aqui.

sábado, abril 28, 2007

The Sage (Modest Mussorgsky/Greg Lake)

Este cidadão cujo nome não descobri (usa o pseudónimo Troubleclef e é músico profissional), toca o The Sage versão EL&P (Pictures at an exhibition, dos Emerson, Lake & Palmer, remember ?) como um verdadeiro... Sábio.

(Se quiser ouvir o álbum inteiro tocado ao vivo - quase 42 minutos de duração - onde a versão dos EL&P do The Sage é tocada pelo próprio Greg Lake, pode clicar aqui).

sexta-feira, abril 27, 2007

Eleições em França

Porque penso que vai ganhar a direita nas presidenciais francesas ?
Porque hoje em dia as políticas nacionais nos países europeus dependem muito da União Europeia e esta tem um pendor claramente de direita.
Porque os candidatos por essa Europa fora se parecem cada vez mais uns com os outros – são todos partidários de políticas abertamente de direita, embora alguns (os PSs, entre os quais o português e o francês) se gabem de ser de esquerda.
Porque se é inevitável que se caia na política de direita, então o mais lógico é que seja gente de direita a protagonizá-la.
Andava preocupado comigo mesmo: sempre fui um tipo com ideias de esquerda, ou para lá tendendo; nunca na minha vida votei num partido de direita ou num candidato presidencial ou autárquico de direita; e apesar disso frequentemente dou comigo a pensar que para fazer esta política que se faz actualmente, a direita é mais competente.
Acabo de ler numa revista que há uma série de intelectuais franceses da esquerda que apoiam Sarkozy em detrimento de Segolène.
Não vou tão longe: espero em Deus nunca vir a apoiar a direita com o meu voto (votar à direita para mim é como perder a virgindade com uma/um desconhecida/o por causa de uma noite de copos, com whisky “marado”...).
Mas não ficarei escandalizado se a direita começar a ganhar eleições – tudo é preferível à demagogia socialista cada vez mais esquizofrénica, que só sabe mandar “bocarras” de esquerda e fazer políticas de direita pura e dura, deixando o País de pantanas.
Direita por direita, prefiro a direita séria e responsável, que sabe tomar medidas graduais e sabe evitar as constantes bombas atómicas a que o PS nos habituou.
Creio que os intelectuais franceses de esquerda que apoiam Sarko terão uma linha de pensamento semelhante.

segunda-feira, abril 23, 2007

Livros, livros, livros



Dia Mundial do Livro

Não simpatizo com Dias Mundiais disto e daquilo, mas abro uma excepção para o Dia Mundial do Livro, que parece que é hoje.
A Feira do Livro de Lisboa está quase a começar !
Fasten your seat belts, please - este ano quero passear-me longamente pela feira, onde espero vir a ter, como sempre, encontros imediatos do 3º grau, com pessoas sem dúvida, mas muito especialmente com os livros.

Guitarra, evolução, obsessão e convalescença



Quando se diz que para tocar viola razoavelmente é preciso muito trabalho – mas muito trabalho mesmo ! – não se está a cometer uma ponta de exagero.
São horas e horas e horas a dedilhar, horas e horas e horas de alguma prática que tenha a ver com teoria musical, horas e horas e horas de estudo de cada peça musical.

Nunca estudei organizadamente nada de viola, de guitarra ou de música em geral, de onde resulta que a carga de conhecimentos que adquiri é toda empírica.

Quando o meu sobrinho, jovem que estuda guitarra e música a sério, me fala da “terceira dominante”, maior ou menor, fico a olhar para ele que nem boi para palácio.

Entretanto, volta e meia fico maravilhado quando descubro o que é um Dó de 6ª e descubro que já utilizo o dito Dó de 6ª há vinte anos sem sequer saber que aquilo era um Dó, quanto mais de 6ª !
Bom, mas o tema do post não é bem sobre isto.

É sobre a obsessão.

Volta e meia, nas minhas deambulações musicais, dou com uma melodia que me encanta especialmente e começo a estudá-la intensivamente; isso implica tocá-la de frente para trás e de trás para frente umas 500 mil vezes, com as mais desvairadas e loucas variantes, algumas das quais passam a fazer parte da música, quando me agradam especialmente.

De onde resulta que a família e os amigos é que pagam, coitados, antes de eu tocar a melodia do princípio ao fim já eles a ouviram uns bons milhares de vezes.
Há uns anos largos a banda The Who saiu-se com aquele monumento musical que foi a ópera-rock Tommy.

Adorei o Tommy e meti na cabeça que o havia de tocar – bom, o resultado foi tal que ainda hoje o meu irmão mais novo empalidece quando eu toco os primeiros acordes do dito...

Toquei, retoquei, tritoquei, tetratoquei dezenas de vezes as principais canções do Tommy, horas e horas seguidas, de tal maneira que os meus pais, os meus irmãos, os meus amigos e até a minha namorada de então passaram a odiar visceralmente o disco, tal foi a “overdose” !

Algo de semelhante se anda agora a passar, mas a “dose” é substancialmente diferente, pois actualmente a vítima das minhas atenções é o Prelúdio em Lá menor, do Badenpowell, que é uma peça musical que tem uns 10 minutos de duração.

Hoje, porém, peguei na viola, estive a tocar um bocado e depois parei, com a sensação de que algo de estranho se estava a passar.
E estava !

Estive uma meia hora a tocar viola e não toquei nenhuma parte do Prelúdio, o que significa que abrandou a obsessão – estou em convalescença, portanto...

segunda-feira, abril 16, 2007

Contos Estelares – XVIII

Seldom e Terminus - Fundação


“Quem diabo é Hari Seldom ?”, indagou Neves.

Funes encarregou-se de explicar tudo.
Corria uma história publicada por Isaac Asimov que começa por descrever um planeta gigantesco mas com uma força da gravidade igual à da Terra; nesse planeta e planetas próximos a humanidade medrou extraordinariamente.
O planeta chamava-se Trantor.

O livro chamar-se-ia Fundação.
Em data indeterminada Trantor deixou de ter terra livre, estava literalmente todo ocupado na sua superfície, por isso os seus dirigentes enveredaram por culturas hidropónicas e pelo desenvolvimento do sub-solo.

O planeta estava a regurgitar de gente e era governado com pulso de ferro por um regime autoritário.
Hari Seldom era um dos seus mais conhecidos e respeitados cientistas e tinha desenvolvido uma nova ciência, a psico-história, que através de cálculos matemáticos e da teoria das probabilidades conseguia descobrir as tendências da evolução das sociedades com um impressionante grau de precisão.
Até aí, no problem.

O problema era que Hari Seldom tinha previsto uma época de depressão e desgoverno de Trantor que se aproximava rapidamente.
Segundo os seus cálculos Trantor ia cair na anarquia dentro do curtíssimo período de 10 anos.
Foi o escândalo: Seldom e o seu grupo de seguidores na universidade foram não só expulsos da universidade como do próprio planeta.
Foram degredados para o espaço exterior, para um planeta pequeno e escuro,a que chamaram Terminus.
A Fundação era o destino e o objectivo de todos que trabalhavam no planeta.
Seldom acreditava que se iriam seguir tempos de barbárie, mas se conseguisse fazer um apanhado geral de todo o conhecimento científico humano seria possível reduzir essa barbárie a pouco tempo.
Com base numa das suas teorias – a teoria de que a civilização tinha horror ao vazio – vaticinava que num mundo de barbárie quem estivesse equipado com fortes valores civilizacionais muito rapidamente ocuparia todo o espaço disponível.

A civilização e a cultura só param quando encontram outras civilizações ou culturas; enquanto não as encontrarem irão ocupar todo o espaço deixado pela barbárie.
Os nossos amigos astronautas tinham “tropeçado” na comunidade cientifica/culturalmente mais evoluída de toda a galáxia.
(continua)

Contos Estelares - XVII


Terminus

“A nave está a desacelerar”, avisou Cleópatra.
De facto, o computador indicada que seguiam apenas a 5 vezes a velocidade da luz, quando pouco antes indicava 20 vezes essa velocidade.
O computador começou a “vomitar” informação freneticamente:
Raio tractor de forte magnitude centrado na nave, retardando substancialmente a velocidade; escudo anti-gravitacional em aquecimento, estará operacional em 3 minutos; aguardando ordens.
Ouviu-se uma voz metálica na cabine do comando: ”atenção, nave Poseidon, atenção, nave Poseidon, sabemos quem são e o que fazem há algum tempo, queremos ajudá-los, segue uma frota na vossa direcção”. Assinado: “Comandante IK”.
“Ajudar, o tanas”, disse Cem Anos, “estes tipos enviam-nos um raio tractor que quase nos aniquila e depois têm a “lata” de dizer que nos querem ajudar !”
Todos concordaram em preparar a defesa da nave.
Entretanto o escudo anti-gravitacional entrou em funcionamento e a Poseidon retomou imediatamente a grande velocidade de que vinha animada; as naves dos Cylons começaram a ficar para trás, tornaram-se em pontinhos luminosos e acabaram por desaparecer.
“Ufff – parece que estes tipos não conhecem o sistema de propulsão Erkhart”, comentou Funes.
“Nem vão conhecer tão cedo, se isso depender de nós; mas afinal isto são máquinas ou quê ?”, disse Cleópatra.
“São robots de um tipo especial, dotados de inteligência artificial, a que foram omitidas todas as rotinas de cautelas e que não reconhecem as três leis da robótica”, disse Cem, lendo as informações que o computador ia debitando.
Lentamente a calma voltou à nave e até se proporcionaram algumas piadas; “bem vêem”, dizia Neves, “para mim a visita dos Cylons era uma inconveniência – é que nem sequer estava penteada para os receber !”
“Pois, eu também fiquei com os cabelos em pé...”, acrescentou Cleópatra “estes tipos podem ser robots, mas comportam-se como animais ferozes e predadores de grande porte”.
“Absolutamente de acordo”, declarou Augusta, “esta gente é má vizinhança, entre nós e eles o melhor é a distância; afinal de contas quem era o tal Comandante IK ?”.
IK – acrónimo de “Idiot Killer”, respondeu o computador.
Ainda não tinha havido tempo para nenhuma resposta quando o computador voltou a zumbir um alarme de comunicações externas.
Desta vez apareceu um quadro muito nítido, um homem de uns 60 anos com ar calmo, que depois de ficar um minuto olhando para a câmara, começou a falar:
“Bem-vindos ao território do planeta Terminus; em breve receberão muita informação adicional.
Sou Hari Seldom”.
(continua)

sexta-feira, abril 13, 2007

Contos Estelares - XVI

Cylons !


Mas afinal, o que (ou quem) são os Cylons ?
Os primeiros Cylons foram fabricados pelos humanos – eram uma espécie de super-robots com forma humanóide dotados de um cérebro que no fundo era um super-hiper micro-computador; eram agradáveis, simpáticos e educados, estavam programados para isso, em obediência às três leis fundamentais da robótica, que basicamente estabeleciam que um robot tem sempre que obedecer a uma ordem humana, salvo se essa ordem implicar a destruição de vidas humanas, inclusive da vida do próprio humano que dá a ordem.
O passo lógico seguinte foi o fabrico de robots que fabricassem outros robots cada vez mais sofisticados.
Um belo dia um desses robots fabricantes avariou.
Essa avaria implicou a desrespeito das três leis da robótica.
Infelizmente a avaria não era evidente e esse mesmo robot avariado esteve ainda longo tempo a fabricar outros robots, todos eles com uma maior ou menor avaria.
E todos eles deixaram subtilmente de obedecer às leis da robótica.
Até que um dia aconteceu o impensável, embora retrospectivamente se pudesse dizer que dadas as circunstâncias, era inevitável.
Um homem perturbado desatou aos pontapés a um Cylon, que aguentou estoicamente o castigo.
Até ao momento em que o homem lhe deu um pontapé no lado direito da cabeça, onde estava situado o computador; por infeliz coincidência esse pontapé exacerbou a parte do cérebro robótico ligada à agressividade e à auto-defesa.
Quando o homem se preparava para lhe ferrar o segundo e derradeiro pontapé (que iria desactivar o robot, causando-lhe uma lesão igual à morte nos humanos), o robot reagiu e comunicou-lhe que não devia continuar.
O homem não ligou à advertência e ferrou-lhe mesmo o pontapé – mas nesse momento já o pontapé foi muito amortecido pelas defesas automáticas do robot, que, reagindo, lhe aplicou um golpe de mão em cutelo, espécie de “Karaté” robótico – no pescoço.
E assim o primeiro ser humano foi morto por um robot.
Esse mesmo robot ligou imediatamente os circuitos de recuperação de danos e rapidamente se tornou mais forte e mais inteligente que anteriormente.
Organizou-se, juntou os outros robots e rodeou-se deles.
Quando os homens descobriram o que se passava, já era tarde.
O robot tinha-se tornado num ídolo e já passara à história com um cognome que manteve sempre: “Idiot Killer”.
(continua)

Contos Estelares - XV

Encontros Imediatos

“Sou Manolo, astrónomo e cientista estagiário, estou a contactar-vos à revelia dos meus chefes, sei que vocês estão a dirigir-se para cá numa nave espacial de extraordinária potência, a uma velocidade próxima de 20 vezes a velocidade da luz e pelos vossos sinais parecem-me humanos ou pelo menos humanóides; cuidado com o 10 planeta do nosso sistema, está armadilhado contra os Cylons, nossos inimigos tradicionais, andróides hostis e tecnologicamente muito avançados; o planeta emite um feixe tractor convidando as naves a poisar – esse feixe tractor é uma armadilha; pelas minhas contas, se vocês mantiverem a velocidade a que estão, entrarão no nosso sistema dentro de uns 7 meses; não tentem contactar comigo por agora; mas estejam descansados, pois muito antes de estarem bem próximos serão oficialmente contactados pelos mais altos responsáveis do planeta”.
De tempos a tempos o computador repetia esta litania, o que significava que Manolo não estava certo de ter sido entendido e reenviava sempre a mesma mensagem.
Os cinco astronautas decidiram enviar-lhe também em código binário uma curta mensagem: “Somos humanos, do planeta Terra, o 3º planeta do sistema solar que está a implodir no sector estelar Z-33-M; pedimos ajuda; representamos alguns milhares de humanos sobreviventes e procuramos um planeta habitável; solicitamos contacto com as vossas autoridades”.
“Cuidado com o discurso”, advertiu Cem, “não podemos dar a impressão de que temos um grande poder tecnológico, pois isso poderá atemorizar os homens de Andrómeda”.
“Eles não vão compreender”, disse Cleópatra, “nós dizemos que viemos de um sistema que está a implodir e eles não têm forma de o confirmar, pois para os telescópios deles o nosso sistema está ainda impecável; como estamos há muito a viajar a 20 vezes a velocidade da luz chegámos muito mais depressa do que a visão da implosão”.
“Calma, que ainda vão demorar uns meses até lá chegarmos, apesar da velocidade”, ponderou Nina Augusta; “talvez o melhor seja prepararmos consistentemente as nossas explicações”.
Os outros concordaram.
Cada um procurou fazer as simulações de computador mais perfeitas possível sobre a implosão do sistema solar.
Cem fez tudo quanto lhe pareceu necessário; esgotado o trabalho, pegou na viola e começou a tocar, na sala de convívio; passado um bom bocado entrou Neves e sentou-se calmamente à escuta; depois de mais um pedaço apareceram Cleópatra e Funes.
Finalmente Nina Augusta entrou.
Estava a soar um prelúdio de Badenpowell em viola clássica, com um ritmo algo endiabrado; era um prelúdio grande, com quase 10 minutos de som.
Quando acabou de o tocar Cem olhou para as suas mãos e disse, satisfeito, que não compreendia como conseguia tocá-lo: “na Terra nunca tive dedos para ele e fartei-me de o estudar, sem resultado; mas o que é isto ? o espaço exterior ajuda a tocar melhor ? há-de haver uma explicação, caraças !”
“Estou a trabalhar nessa hipótese”, declarou Funes.
De súbito uma nota aguda do computador central chamou a atenção de todos; uma mensagem diferente estava a chegar de Andrómeda: “foram vocês que cantaram essa melodia ?”
Não cantámos, ela foi tocada numa viola, que é um instrumento musical, explicaram os astronautas.
“Para nós, essa melodia foi uma grande novidade; os nossos computadores traduziram-na como um forma superior de arte a que chamamos música e que é uma linguagem universal de amor e de paz – ainda bem que a enviaram”, transmitiu Manolo.
A mensagem, porém, foi perdendo definição até desaparecer no éter, substituída por um ruído de fundo estranho.
O Computador central emitiu um sinal de alrme: pouco segundos depois os cinco astronautas compreenderam a sua razão.
No visor central da nave pairavam as formas de seis naves de guerra em atitude bélica que se dirigiam para a Poseidon a toda a velocidade.
Antes de perder o pio, Manolo tinha ainda conseguido enviar um aviso: “Atenção ! Cylons !”
Os andróides Cylons tinham descoberto a Poseidon.

(continua)

quarta-feira, abril 11, 2007

Mediterrâneo



O Meditarrâneo visto de alto de La Sallette


A cidade de Sète

terça-feira, abril 10, 2007

Rigoler

É ir a França e ouvir um amigo cantar alegremente "700 milions de chinois, et moi et moi et moi"...

terça-feira, abril 03, 2007

Ó Valerie, por favor, follow me, call on me, o que quiseres !

O rapaz não é nada peco no pedir, mas canta bem como o diacho.
Ladies and gents, please meet Mr. Stevie Winwood

Valerie
Stevie Winwood

So wild, standing there, with her hands in her hair
I cant help remember just where she touched me
Theres still no face here in her place
So cool, she was like jazz on a summers day
Music, high and sweet, then she just blew away
Now she cant be that warm with the wind in her arms

Valerie, call on me-call on me, valerie
Come and see me-Im the same boy I used to be

Love songs fill the night, but they dont tell it all
Not how lovers cry out just like theyre dying
Her cries hang there in time somewhere
Someday, some good wind may blow her back to me
Some night I may hear her like she used to be
No it cant be that warm with the wind in her arms

So cool, she was like jazz on a summers day
Music, high and sweet, then she just blew away
Dont tell me youre warm with the wind in your arms

sábado, março 31, 2007

Anastassia Bardina


Amazing ! Esta grande Senhora deixa-me uma enorme vontade de também querer ser "Bardino"

terça-feira, março 27, 2007

De viagem


Os "Contos Estelares" vão parar por uns dias, porque vou viajar - por acaso passo em Barcelona, mas ainda não é desta que lá fico a algum tempo e Barcelona não é para ser vista à pressa.

Lá no sítio para onde vou talvez escreva alguma coisa, depende dos fluidos. Até lá, deixo-vos um abraço e votos de uma boa Páscoa.

quinta-feira, março 22, 2007

Con te partiro - Andre Bocceli

Andrea Bocceli
Con te partiro


Quando sono solo
Sogno allorizzonte
E mancan le parole
Si lo so che non ce luce
In una stanza quando manca il sole
Se non ci sei tu con me, con me

Su le finestre
Mostra a tutti il mio cuore
Che hai accesso
Chiudi dentro me
La luce
Che hai incontrato per strada.

Con te partiro
Paesi che non ho mai
Veduto e vissuto con te
Adesso si li vivro

Con te partiro
Su navi per mari
Che io lo so
No no non esistono piú
Con te io li rivivro.

Quando sei lontana
Sogno allorizzonte
E mancan le parole
E io si lo so
Che sei con me con me
Tu mia luna tu sei qui con me
Mio sole tu sei qui con me,
Con me, con me, con me.

Con te partiro
Paesi che non ho mai
Veduto e vissuto con te
Adesso si li vivro

Con te partiro
Su navi per mari
Che io lo so
No no non esistono piú
Con te io li rivivro

Con te partiro
Su navi per mari
Che io lo so
No no non esistono piú
Con te io li rivivro
Con te partiro.

Io con te.

quarta-feira, março 21, 2007

Contos Estelares - XIV

Ai, Manolo !

“Ó Cem, com coisas sérias não se brinca”, repreendeu Augusta, ainda rindo com as caretas que Cem fazia a tentar explicar-se. “Augusta Nina juro que por uma vez estou a falar a sério – há um tipo chamado Manolo que me pergunta em Morse quem somos; diz que está no 4º planeta rodando em cima de um sol que nós conhecemos por XV8 e parece que é tão humano como nós”, protestou Cem, que quando se concentrava com grande intensidade não conseguia deixar de fazer caretas. Augusta não teve tempo de responder: dessa vez era mesmo o alarme geral da nave a soar estridentemente, anunciando que o computador tinha encontrado algo que parecia um planeta habitável. Neves, Cleópatra e Funes apareceram de repente na sala de comando e imediatamente se inteiraram dos últimos acontecimentos. Cem enfiou os dados no computador que quase de seguida cuspiu uma folha impressa com os dizeres “Sol XV8, 4º planeta, todas as condições para sobrevivência humana; sinal electrónico recebido em código binário, muito complexo – prossegue operação de descodificação”. Cleo teclou indagando do computador para quando se previa a a descodificação do sinal electrónico e o computador respondeu “entre 1 semana a 15 dias”. Nos 10 dias seguintes todos esperaram civilizadamente, sem exteriorizarem a excitação que os ia possuindo; os meses passados na nave tinham criado entre todos um laço especial que envolvia delicadeza, afecto, entre-ajuda, confiança e –pasme-se ! – igualdade. Até Cleópatra, a mulher mais radical, tinha acabado por reconhecer que naquelas condições os homens podiam ser tão importantes como as mulheres; tinha tido uma discussão com Cem sobre o Dia do Pai e ficou algo surpreendida quando compreendeu que afinal Cem pensava o mesmo que ela; mas foi preciso engolir algum orgulho para aceitar que um simples homem pudesse pensar com o mesmo acerto que ela. “Manolo ?”, dizia Neves, “mas isso lembra-me qualquer coisa...” e não explicava o quê, apesar da curiosidade dos outros. Até que, ao 10º dia o computador despejou o sinal descodificado: “Sou Manolo, astrónomo e cientista estagiário, estou a contactar-vos à revelia dos meus chefes, sei que vocês estão a dirigir-se para cá numa nave espacial de extraordinária potência, a uma velocidade próxima de 20 vezes a velocidade da luz e pelos vossos sinais parecem-me humanos ou pelo menos humanóides; cuidado com o 10 planeta do nosso sistema, está armadilhado contra os Cylons, nossos inimigos tradicionais, andróides hostis e tecnologicamente muito avançados; o planeta emite um feixe tractor convidando as naves a poisar – esse feixe tractor é uma armadilha; pelas minhas contas, se vocês mantiverem a velocidade a que estão, entrarão no nosso sistema dentro de uns 7 meses; não tentem contactar comigo por agora; mas estejam descansados, pois muito antes de estarem bem próximos serão oficialmente contactados pelos mais altos responsáveis do planeta”. “Ai, Manolo, que saudades”, suspirou Neves misteriosamente. (continua)

terça-feira, março 20, 2007

Contos Estelares - XIII

Estava Andrómeda muito bem posta em sossego...


A face nocturna do planeta dormia, com algumas excepções.
Alguns profissionais ligados à astronomia observavam excitados o enorme visor do telescópio apontado para o infinito.
Poucos dias antes um astrónomo estagiário tinha descoberto um sinal electro-magnético estranhíssimo vindo de uma zona estelar consabidamente vazia.
Depois de ter submetido o sinal a múltiplas experiências, o jovem astrónomo chegou à conclusão de que só uma entidade com inteligência o poderia produzir; na verdade, os impulsos eram rítmicos e repetiam-se pela mesma ordem: três pontos seguidos de três traços, de novo três pontos; depois de uma pausa recomeçava a mesma série.
O computador disparou no écran a constante conhecida correspondente à variável que o cientista introduzira:
3 pontos – S; 3 traços – O
A sequência - 3 pontos – 3 traços – 3 pontos – representava a sigla SOS.
O computador indicou que aquela era uma velha fórmula usada num planeta lendário para se pedir socorro.
Tratava-se do planeta Terra, que alguns “crentes” continuavam a defender que sempre existira nas proximidades do braço da espiral, rodando em torno de um sol que há pouco tempo se tinha tornado numa super-nova.
Havia mesmo quem defendesse que os homens de Andrómeda descendiam dos terrestres, o que ultrapassava toda a especulação conhecida e entrava pelo caminho do esotérico.
Nesse planeta existia uma língua bastante espalhada, que era o inglês – o SOS era o acrónimo da expressão inglesa “save our souls”, um pedido de ajuda universal.
Manolo, assim se chamava o jovem cientista estagiário, deu conta aos seus superiores do que se passava e estes começaram por dizer algumas piadas ao jovem, até que o Dr. Roldán, chefe do serviço de astrofísica do Observatório, se dignou examinar os documentos com mais atenção.
Descobriu quase de seguida que o jovem quase de certeza tinha razão.
De facto, para além dos sinais constantes e da explicação oferecida pelo computador, o próprio sinal electro-magnético se tornava mais forte de dia para dia; e quando chegou a mensagem “Olá – há alguém em Andrómeda ?” escrita naquele código de pontos e traços e vinda exactamente do centro da onda electro-magnética, Francis Roldán não teve dúvidas.
“Hombre, esto es magnifico” disse ele em castelhano ao jovem (quando se excitava Roldán disparava frases na antiga língua que chamavam castelhano, em vez de se exprimir civilizadamente em esperanto, como era normal).
Roldán quis responder imediatamente ao sinal, mas os seus companheiros seniores dissuadiram-no disso, pois além de não haver no Observatório um projector com força suficiente para enviar a mensagem, todos queriam saber mais acerca da inteligência que aí vinha antes de eventualmente se lhe abrir o jogo.
Na verdade todos sabiam que o sinal provinha de uma zona algures a 15 anos luz de distância, só podia vir de uma nave espacial – e só uma nave espacial com um potencial formidável seria capaz de emitir sinais a 15 anos luz de distância.
Uma nave que possivelmente podia destruir planetas.
(continua)

Viola de cair para o lado

Este é só mesmo para quem gosta muito de viola ou já é iniciado...
É um Prelúdio composto e tocado por Baden Powell.
De cair para o lado !

segunda-feira, março 19, 2007

Dia do Pai

É a 19 de Março.
Vivemos numa sociedade algo estupidificada em que raramente paramos para pensar.
Afinal quem é o Pai, o que é o Pai ?
A única pessoa que ganha dinheiro lá para casa ?
Ou aquele que ganha mais ?
A pessoa que passa os cheques ?
O factor de segurança ?
O carrasco de serviço quando a(s) criança(s) se torna(m) insuportável(eis) ?
O encarregado da “distribuição da fruta” ?
A pessoa distante que sai de manhã e volta à noite, tendo pouco contacto com os filhos ?
O motorista de serviço que vai levar e buscar as crianças à escola ?

Ou

É a pessoa capaz de pacificar uma alminha aflita de miúdo ?
A pessoa que aparenta ter força para defender tudo e todos do mal ?
A presença tranquila de quem sabe explicar o mundo ao filho ?
O companheiro de momentos de distensão com a mulher e filhos ?
O entusiasta que convida toda a gente para uma borgazita fora de casa ?

Depois de muitos séculos de hiper-valorização do papel do pai, assistimos nos últimos 40 ou 50 anos ao fenómeno inverso – a constante valorização da mãe e a constante desvalorização do pai.
É tempo de retomar uma posição de equilíbrio.
Com votos de que todos saibam reconhecer aos pais o seu espaço.
E de que todos os pais o saibam ocupar.

domingo, março 18, 2007

Rust Never Sleeps

Yes, a ferrugem nunca dorme. Este é o tema geral de um LP de Neil Young, onde avulta a canção Hey, Hey, My, My.

Neil Young foi um dos meus heróis.
Hoje ouço-o menos, especialmente quando vou de carro, para não apanhar com bocas escarninhas da mulher e das crianças tipo "lá vem o Neil Young outra vez" (pronuncia-se Nêêiil, à moda cá de casa, o que me deixa varado e revoltado).
Neil canta o amor que nunca veio, a mulher que a vida tinha prometido mas que ficou nalguma curva da vida, a precaridade de tudo isto, o logro da droga pesada ("every junkie is like a setting sun"...) e outros temas bastante actuais.
Tudo isto, no fundo, é por vezes algo
helpless.

Leituras do passado

Estou a reler uma obra sobre Harun-Al-Rachid que me está a deliciar, por duas razões: por causa do próprio conteúdo do livro e por causa dos meus comentários feitos há 20 anos, quando o comprei.
Durante muito tempo (e por vezes ainda hoje) cultivei uma prática interessante – ir fazendo comentários à margem nos livros que ia/vou lendo.
Naturalmente que só comentava/comento livros que me parecem especialmente interessantes.
Os meus comentários de jovenzinho recém-chegado à idade da razão, são extremamente “frescos”, em todos os sentidos, mas são também de uma ingenuidade espantosa.
São dois livros em um: a pompa do califado de Bagdad e a vivacidade do jovem bem disposto que eu costumava ser.

Frase de antologia

"Os teus sabem-se sempre a coentros".
Frase de Salazar comentando a diferença de sabores entre os lusitanos peitos de D. Maria e alguns peitos franceses onde ele foi beber a (pouca) cultura internacional que tinha...bom, poderia não ser propriamente internacional, mas era pelo menos e seguramente transfronteiriça.
Obtido no impagável Funes El Memorioso.

O meu amigo "Quatro"

Um belo dia, estava eu no 3º ou 4º ano do Liceu, um colega teve necessidade de confirmar uma questão comigo; telefonou lá para casa; atendeu uma das minhas irmãs mais velhas, que ficou hororizada com a conversa:

"Sim, daqui fala um colega, poderia falar com o A..., por favor "?
"Com certeza, diga-me quem fala, por favor".
"Fala o Quatro !"
Nunca mais consegui deixar de pensar nesse colega sem o associar ao quatro.
E a minha irmã nunca mais parou de me gozar com bocas tipo "olha lá, ó 14, vê lá se tens juízo"...
Quem diria que eu mais tarde iria chegar a... Cem.

quarta-feira, março 14, 2007

Adolescente


Hoje o meu filho faz anos.


Parabéns, filhote !


É a minha vez de dizer que se não existisses tinhas que ser inventado...

terça-feira, março 13, 2007

Ó filhote, gosto tanto de ti !


Uma história espectacular que ouvi ontem na rádio e que me fez “partir o coco”:

Um entrevistado cujo nome não retive, ao descrever a sua relação de amor com o filho pequenito, contou que um dia o foi deitar e depois de muitos miminhos, já a despedir-se disse-lhe “ó meu filho, gosto tanto de ti”, ao que o miúdo, meio ensonado, respondeu “pois, pai, eu também gosto muito... da mãe !”

segunda-feira, março 12, 2007

Palavras sábias


"Nunca te metas com uma miúda que já te bateu uma vez" - Pedro - 9 anos.

(Obtido no
Gabinete de Tempos Livres).

O miúdo tem carradas de razão.

E é bastante precoce, podem crer.

Contos Estelares - XII

Somewhere in outer space

Augusta acordou com a sensação estranha de estar a acordar num local desconhecido.
Durante um momento conjecturou onde estava, para logo depois se lembrar que estava a bordo da “Poseidon” a caminho da nebulosa de Andrómeda.
O seu livro de poesia jazia no chão, atraído pela gravidade artificial criada pelos motores da nave.
Os seus últimos pensamentos antes de adormecer voltaram: “sou agora um dos raros sobreviventes da espécie humana, as responsabilidades que antes tinha multiplicaram-se infinitas vezes”.
Carregou num botão do painel frontal do quarto e verificou que todos os tripulantes estavam ainda nos seus camarotes; Neves e Cem estavam já acordados, Cleópatra e Funes não davam quaisquer sinais.
“Bom dia, companheiros !” disse Cem Anos no intercomunicador, “devem estar com tanta fome como eu, dentro de 20 minutos tenho pronto um pequeno almoço para todos”.
Augusta sorriu e pensou “este ao menos não perde o apetite”.
Passado um pouco estavam os três no refeitório comendo ovos mexidos com bacon e bebendo um café especialmente aromático.
“Que belo cheirinho”, disse Cleópatra entrando no refeitório.
“Pois, sabe que é de manhã que se começa o dia..., aprendi na tropa”, disse Cem.
Cleópatra não se fez rogada; quando já ia na segunda rodada de ovos com bacon e na segunda vezada de café surgiu Funes, igualmente faminto e imediatamente presenteado por igualmente suculento pequeno almoço.
Reuniram depois na sala de comando.
O céu de estrelas tinha-se modificado totalmente: a nebulosa de Andrómeda continuava focada à frente, mas as estrelas por que tinham passado e o panorama daí alcançável era o de um emaranhado de sistemas muito pouco familiar.
Tinham passado cerca de 20 horas-padrão (tempo da nave), desde que se deitaram, mas esta tinha percorrido muitos milhões de quilómetros.
A uma velocidade de 20 vezes a velocidade da luz a nave tinha percorrido cerca de 4.000 horas/luz, quase 17 dias/luz, no mesmo período.
Sendo o tempo padrão baseado na velocidade da luz, uma aceleração de 20 vezes a velocidade da luz provocava uma correspondente aceleração no tempo.
Os astronautas verificaram que a nave tinha funcionado normalmente, reagindo a todos os estímulos adequadamente; a própria nave não accionou qualquer alarme despertador dos tripulantes porque os problemas encontrados foram sendo resolvidos pelos computadores.
Estavam a navegar a uma velocidade espantosa, qualquer coisa como 6 milhões de quilómetros por segundo; a essa velocidade o mundo exterior não era visível das escotilhas da nave, mas os computadores apresentavam-no em simulações perfeitas.
Sem a assistência dos computadores as escotilhas apresentariam todas o mesmo aspecto: um negro profundo.
Os “scanners” estavam constantemente a funcionar, varrendo o espaço em todas as direcções, pois apesar do destino ser Andrómeda os astronautas não enjeitavam a hipótese de ficarem num mundo habitável que descobrissem no caminho.
Da estação chegaram notícias de que tudo estava a correr bem, incluindo o estado de sono profundo das cerca de 500 pessoas que no seu conjunto as naves traziam – todos em sono profundo e em solução criogénica.
Marta e João davam boa conta do recado, mas havia planos para acordar mais gente, pois apesar de as tarefas serem muito facilitadas pela mecanização e pela robotização, algumas acções de comando da estação deveriam ser executados por humanos.

quinta-feira, março 08, 2007

Contos Estelares - XI


João Pestana não desgruda.

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quarta-feira, março 07, 2007

Contos Estelares - X

Into deep space

Cada um foi para o seu camarote instalar-se confortavelmente. O piloto automático, controlado pelo computador central, estava a trabalhar em pleno sendo desnecessário por enquanto cuidados humanos na navegação.
Augusta Nina recostou-se bem na cama, puxou de um livro de poesias e começou a sua leitura preferida; daí a pouco cairia num sono reparador, característico das almas justas.

Cleópatra preferiu ouvir música e colocou no aparelho de CD/DVD o inevitável Rodrigo Leão.
Pensativa, meditou no que tinha deixado para trás, não na Terra, mas na estação espacial – espaço à farta, pouco trabalho, sistemas automáticos ultra-sofisticados, comida boa a horas e descanso quando queria; sentia que tudo iria mudar agora - e não estava segura de que seria para melhor. Cleópatra estava muito contrariada por ter que partilhar responsabilidades com Funes e Cem; não era antipatia, até lhes achava piada, mas tinha a sensação fatal de que a sua inferioridade histórica de sexo fraco viria ao de cima cedo ou tarde e poderia trazer-lhes sarilhos a todos; o (mau) material tem sempre razão !, pensava ela, preocupada.
Funes escolheu três catrapázios de História contemporânea e retirou-se para os seus aposentos.

Neves já dormia no seu camarote, quando Cem se resolveu a deixar a sala de comando (tinha ficado até ao último momento, verificando e re-verificando a certidão das coordenadas do computador; não seria grave, mas seria desagradável ter que reajustar alguns graus a trajectória da nave, se a direcção inicialmente tomada não fosse inteiramente correcta.
Foi para o seu camarote e finalmente deitou-se: parecia-lhe mentira estar envolvido numa aventura daquelas como que por acaso. Pegou num livro, “O Enigma de Aristóteles”, tirou a roupa exterior ficando apenas com a roupa-pele (roupa finíssima que aderia ao corpo quase sem se dar por ela, feita de uma fibra que era uma mistura de algodão e linho, super-confortável), estendeu-se na cama com cuidado (a malfadada hérnia discal andava um pouco assanhada e ele tinha que tomar cuidados, dormindo sempre em colchão duro e de barriga para cima, sem almofada), ajustou o livro ao aparelho de leitura que tinha inventado uns anos antes – e começou a sua leitura terapêutica.
Durante o período de treino e preparação, tinham acordado em que a nave seria governada por um triunvirato em rotativismo, cabendo naquele momento o governo a Neves, Cleópatra e Funes; dentro de 1 mês Funes cederia o lugar a Augusta, dentro de 2 meses Neves cederia o lugar a Cem, dentro de 3 meses seria Cleópatra a ceder o lugar a Funes.

“Consegue ler ?”, indagou Cleópatra pelo intercomunicador.
“Bem, ainda não, mas não tarda; já coloquei o meu aparelhómetro e...”

“Pois é isso, Cem, creio que o ouvi dizer que tinha uma aparelho para leitura...”

“E tenho – construí-o na praia, a partir de um suporte de harmónica”.

“Você era capaz de me construir um aparelho desses ?”, perguntou Cleópatra um pouco a medo.

“Claro, Cleópatra, por acaso até tenho comigo mais um aparelho desses, o primeiro protótipo que fiz, espere aí que eu já lho dou” – passado pouco tempo Cem passou no camarote de Cleópatra e entregou-lhe o aparelho; explicou-lhe como funcionava e voltou aos seus aposentos.

Deitou-se e começou a ler.
Passado uma meia hora começou a sentir sono.
Antes de adormecer ligou o computador para ver se estava tudo em condições.

Tudo estava normal.
Na parte das mensagens internas viu uma mensagem de Cleópatra que lhe era dirigida e sorriu ao ler “reconheço a eficiência do seu invento; como é que se chama ?” Cem teclou rapidamente duas palavras: “Cem Letras”.
O silêncio foi tomando conta da nave – João Pestana poisou suavemente no tombadilho.

La poesia es una arma

Paco Ibañez

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