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segunda-feira, março 05, 2007

Contos Estelares - IX

Capítulo III


Rumo a Andrómeda


A princípio quase não se deu por nada, mas a nave Poseidon tinha acabado de partir para a grande viagem.
Como viajava próxima da estação espacial, ambas à velocidade da luz, a desaceleração da Poseidon só longos momentos depois de ser accionada foi realmente percepcionada – muito lentamente, a nave afastava-se da estação, ficando para trás.
A Poseidon tinha que se afastar bastante da estação antes de accionar os motores Erkhart, por razões de segurança; a estratégia era deixar-se ficar para trás algumas dezenas de milhares de quilómetros e assim se foi fazendo.
Dois dias-padrão depois a estação espacial era já um pontinho luminoso confundindo-se com as estrelas à distância.
“Atenção, estação, daqui Poseidon requisitando relatório”, ouviu-se a voz de Neves na sala de comando da estação.
“Estação espacial em linha e falando” respondeu Marta, “tudo normal e dentro do previsto – a vossa nave já só pode ser vista através de computação de imagem, aqui na estação prossegue a rotina”.
“Como previsto, vamos entrar em velocidade hiper-luminosa – assim que entrarmos em hiper-luz só poderemos comunicar com as limitações do interface Erkhart”, prosseguiu Neves.
“Todos preparados aqui na estação”.
Neves manobrou a Poseidon de forma a que esta ficasse com o extremo da proa voltado para Andrómeda até estabilizar a nave nessa direcção.
“Nave estabilizada, atenção à tripulação, parar toda a actividade, deitar nas camas dos camarotes dentro de meia hora ou em alternativa nos nichos de aceleração da sala de comando”, comandou Neves pelo intercomunicador.
Todos os astronautas preferiram assistir à aceleração na sala de comando.
“Atenção, vai começar a hiper-velocidade”.
Sentiu-se uma poderosa força que colava literalmente os astronautas aos nichos, ao mesmo tempo que um ruído quase em ultra-som se fazia sentir mais e mais, aumentando o volume à medida que a velocidade aumentava.
A certo momento estava uma barulheira infernal, com os astronautas esborrachados contra os nichos.
Subitamente ouviu-se como que um tiro de canhão e voltou o silencio, desaparecendo gradualmente a sensação de velocidade.
Mas os visores não mentiam – indicavam já o algarismo 20, o que significava que estavam a 20 vezes a velocidade da luz – 300.000 km por segundo vezes 20 – 6 milhões de Km por segundo !
“Todos se sentem bem ?”, indagou Cleópatra, que tinha junto às suas outras funções a de encarregada do departamento da saúde.
Todos se sentiam bem, tirando algumas palpitações já previsíveis originadas pelo barulho e pela sensação de aceleração que tinham experimentado.
Quando estabilizou a sua hiper-velocidade a nave já tinha deixado para trás há muito a estação, que ultrapassara pouco depois de ter iniciado a aceleração.
Os astronautas entreolharam-se com alguma timidez – a proximidade física era coisa a que estavam pouco habituados nos últimos anos.
Nina dissipou a tensão com uma simples pergunta a Cem “sabes cozinhar outras coisas além da feijoada ? se quiseres fazer um petisco para a confraria creio que seria bem-vindo”.
“Claro”, respondeu Cem, "dêem-me meia horinha e já vos apresento coisa boa” e saiu para a cozinha.
Meia hora depois soou o ding-dong do chamamento ao refeitório, de onde vinha um cheirinho a petisco iniludível.
“Resolvi apresentar-vos um petisco especial, um caril de soja vegetariano a que pode ser acrescentado condimentação diversa”.
Todos comeram, com uma canção dos Bee-Gees em fundo ("I started a Joke"), preparando-se para a solidão que vinha a seguir, pois estava programado que naquela fase cada um iria para o seu camarote e tentaria dormir tudo quanto pudesse.
(continua)

4 comentários:

Ni disse...

Ainda não li o post... mas venho já aqui dizer que estou com um sorriso enorme e a cantar....
... esta canção... maravilha... tantas e tantas vezes a cantei.

Um dia, quando perder a timidez, conto com quem cantei quando era jovenzinha... em ensaios 'na garagem'. Achavam-me piada... acho eu... e à minha alegria contagiante. Hoje eles são uma das grandes bandas portuguesas... :)

...
Vou ler o post.

Anónimo disse...

Eu não ouço canção nenhuma. Por baixo do título "Rumo a Andrómeda" há uma janelinha fechada com uma cruz vermelha. Não posso abrir. Também não ouço as canções de John Mayall. Lá está a mesma janelinha fechada com a cruz vermelha.

100anos disse...

Neves, creio que estás com um problema semelhante ao da Cleópatra, que também não conseguia abrir ficheiros musicais.
Não compreendo bem as vossas dificuldades, mas suspeito que se devem à falta de um programa instalado, o Quick Time.
Tenta descarregá-lo e instalá-lo - podes encontrar a versão gratuita do programa em muitos sites.
Outra forma que talvez possa ter efeito é aceder ao blog através de outro navegador ou browser - tenta aceder através do Firefox ou do Opera, em vez do Internet Explorer e talvez o sistema se comporte de forma diferente.
Logo que tiver uma ideia concreta tentarei resolver o problema (isto é chato porque os ficheiros musicais estão relacionados com o texto).

100anos disse...

So, tell me my friends: já conseguem ouvir as músicas ?
Instalaram o Quick Time ?
Tudo em ordem ?
Enquanto não receber as vossas informações acho melhor suspender o conto.
Abraço,
Cem

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